ODS 8: Emprego digno e crescimento econômico

Dentro do cenário global, um dos setores mais afetados pela pandemia de COVID-19, foi o econômico. Segundo o The Sustainable Development Goals Report 2023, a economia mundial enfrenta atualmente, uma inflação persistente, aumento das taxas de juros e uma incerteza econômica cada vez maior. 

A pandemia desacelerou o PIB per capita global, caindo em 4,1% em 2020. Sendo que em anos anteriores havia aumentado a uma taxa média anual de 1,8% (2015-2019). Felizmente, o PIB global se recuperou novamente em 2021 com um sólido aumento de 5,2%, antes de cair em 3 pontos percentuais em 2022. 

De acordo com o mesmo relatório, estima-se que a taxa de crescimento continue a diminuir (para 1,4% em 2023), porém com um aumento modesto em 2024 (1,6%). Essas baixas taxas, colocam em risco não apenas o emprego e a renda, mas também os avanços em termos de remuneração equitativa para as mulheres e trabalho decente para os jovens.

Em um cenário difícil de garantir maiores possibilidades de trabalhos formais, o setor informal ressurge e empurra um maior número de trabalhadores para este setor. Antes da pandemia, a incidência de emprego informal havia diminuído entre 2015 e 2019, porém com as medidas de contenção em 2020, houve o aumento de trabalhadores informais. No Brasil, o aumento se deu, principalmente, de entregadores de comida por aplicativo em grandes centros urbanos.

Em 2022, 58% dos trabalhadores estavam em empregos informais. E o que isso quer dizer? Significa que cerca de 2 bilhões de pessoas ao redor do mundo estavam em empregos precários e sem proteção social. 

Em países menos desenvolvidos a situação é ainda mais alarmante,  a África Subsariana e a Ásia Central e do Sul continuam a registar elevadas taxas de informalidade, com 87% e 84%, respectivamente. 

O recorte de gênero também é desigual. As mulheres foram as mais afetadas durante a recuperação do emprego, com quatro em cada cinco empregos criados em 2022 para as mulheres a serem informais, em comparação com apenas dois em cada três para os homens.

Você sabia que mulheres jovens têm duas vezes mais probabilidades de estarem desempregadas, não frequentarem o ensino ou a formação do que os homens jovens?  

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o progresso para alcançar o ODS 8 tem sido desafiador e o mundo está longe de atingir a maioria das metas. Além dos efeitos da COVID-19, outros motivos podem levar ao atraso do crescimento econômico global, como crises de custo de vida, tensões comerciais, caminhos incertos da política monetária, o aumento das dívidas nos países em desenvolvimento e a guerra na Ucrânia.

No cenário brasileiro de empregabilidade, a Revista Valor, datou que as mesmas maiores cidades geradoras de postos formais, são as maiores em densidade populacional. Na pesquisa do IBGE (2022) apresentada pela revista, São Paulo liderou com o maior número de vagas, puxadas especialmente pelo setor de serviços,O Rio de Janeiro veio na sequência, com um cenário similar ao da capital paulista. A primeira cidade que fugiu da projeção população versus empregabilidade, foi Belo Horizonte. É a sexta maior em população, porém ficou em quarto lugar em saldo de empregos formais. 

No entanto, o diferencial está na comparação entre 2021 e 2022, onde pequenos municípios no Nordeste tiveram destaque. A cidade com maior aumento foi Nova Horizonte (BA), com um crescimento de 3.387% de postos de trabalho, seguido por Serra Grande (PB) que obteve  um avanço de 3.133%. No entanto, a cidade com maior número de vagas, São Paulo, neste ranking, atingiu uma pequena expansão de 4,3% entre os anos. 

Em junho de 2023, a população desocupada diminuiu em relação ao mesmo período do ano anterior (queda de 3%). Com os dados levantados pelo IBGE, o Itaú Unibanco justificou a redução devido ao aumento da taxa de participação* e à expansão de vagas de emprego, tanto do setor formal quanto informal.

Pela importância de um desenvolvimento econômico inclusivo, a ONU estabeleceu que um dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, seria dedicado a solucionar estes desafios até 2030 tendo como objetivo principal promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todas e todos. 

Vem conhecer as metas!

Metas do ODS 8

O ODS 8 tem como primeira meta sustentar o crescimento econômico per capita de acordo com as circunstâncias nacionais e, em particular, um crescimento anual de pelo menos 7% do produto interno bruto (PIB) nos países menos desenvolvidos (8.1). 

O foco da meta (8.2) é em setores de alto valor agregado e dos setores intensivos em mão de obra, como atingir níveis mais elevados de produtividade das economias por meio da diversificação, modernização tecnológica e inovação. 

Já a terceira meta, é promover políticas orientadas para o desenvolvimento que apoiem as atividades produtivas, geração de emprego decente, empreendedorismo, criatividade e inovação, e incentivar a formalização e o crescimento das micro, pequenas e médias empresas, inclusive por meio do acesso a serviços financeiros (8.3). 

A quarta meta deste objetivo é melhorar progressivamente, até 2030, a eficiência dos recursos globais no consumo e na produção, e empenhar-se para dissociar o crescimento econômico da degradação ambiental, de acordo com o Plano Decenal de Programas sobre Produção e Consumo Sustentáveis, com os países desenvolvidos assumindo a liderança (8.4). 

A seguinte meta (8.5) é alcançar o emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todas as mulheres e homens, inclusive para os jovens e as pessoas com deficiência, e remuneração igual para trabalho de igual valor.

Confira também a nossa Trilha Desenvolvimento Econômico, Geração de Emprego e Renda!

Além de reduzir substancialmente a proporção de jovens sem emprego, educação ou formação (8.6) e tomar medidas imediatas e eficazes para erradicar o trabalho forçado, acabar com a escravidão moderna e o tráfico de pessoas, e assegurar a proibição e eliminação de trabalho infantil (8.7). 

A oitava meta é proteger os direitos trabalhistas e promover ambientes de trabalho seguros e protegidos para todos os trabalhadores, incluindo os trabalhadores migrantes, em particular as mulheres migrantes, e pessoas em empregos precários (8.8). 

Elaborar e implementar políticas para promover o turismo sustentável, que gera empregos e promove a cultura e os produtos locais, é a nona meta (8.9). Seguindo para a última e décima meta, fortalecer a capacidade das instituições financeiras nacionais para incentivar a expansão do acesso aos serviços bancários, de seguros e financeiros para todos (8.10). 

O ODS 8 assim como alguns outros, conta com duas sub-metas, as quais buscam:

Aumentar o apoio da Iniciativa de Ajuda para o Comércio (Aid for Trade) para os países em desenvolvimento, particularmente os países menos desenvolvidos, inclusive por meio do Quadro Integrado Reforçado para a Assistência Técnica Relacionada com o Comércio para os países menos desenvolvidos (8.a).

Desenvolver e operacionalizar uma estratégia global para o emprego dos jovens e implementar o Pacto Mundial para o Emprego da Organização Internacional do Trabalho (OIT) (8.b). 

Boas Práticas

A Cidade que Compartilha – Seul, Coreia do Sul 

O Governo Metropolitano de Seul, com o objetivo de mitigar problemas gerados pela exclusão e desigualdades, decidiu institucionalizar uma economia compartilhada na capital do país, através do aumento da renda local, geração de empregos e promoção do consumo sustentável. 

No projeto “Seul, a Cidade que Compartilha”, foi instituída a “Lei para a Promoção do Compartilhamento”. Com esse instrumento, passou a ser mais fácil a abertura de novos negócios, desde que adequados a essa proposta. O projeto é uma iniciativa do governo e é administrado pela Creative Commons Coreia (CCKorea), empresa que obteve a concessão da prefeitura. 

A maioria das empresas participantes administra e oferece seus serviços através de aplicativos para smartphones. A lei do Governo Metropolitano de Seul para a promoção dessa política inclui a abertura de dados e conteúdos de E-governance e o compartilhamento de espaços municipais, além de oferecer incentivos para os serviços de economia colaborativa.

A prefeitura apoia as empresas em questões administrativas, consultoria e relações públicas, além de suporte financeiro e existe um Comitê de Facilitação do Compartilhamento, instituído pela prefeitura e que trabalha para melhorar as leis e políticas para o crescimento dessas atividades.

O resultado é inspirador. Mais de 200 empresas de compartilhamento participam do projeto, além de outras organizações; mais de 100 cidades ao redor do globo enviaram representantes à Seul, para aprenderem as políticas de compartilhamento

Entre esses municípios estão Busan (Coréia do Sul) e Bristol (Inglaterra); o programa “Biblioteca Viva“, de inclusão dos idosos, já realizou 2.500 eventos, com a participação de mais de 24.000 pessoas; foram criados novos postos de trabalho; mais de 360 espaços de estacionamento compartilhados; até 2014, 779 espaços de propriedade do governo foram utilizados para mais de 17.000 atividades e eventos.

Saiba mais sobre o Projeto Seul, a Cidade que Compartilha aqui

 

Desenvolvimento econômico para todos – Sobral (CE) 

A fim de estimular o desenvolvimento econômico inclusivo no município, a Prefeitura de Sobral criou uma parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Sobral, o  SEBRAE e a Fundação Getúlio Vargas, para, principalmente, gerar emprego e novas fontes de renda, desenvolver empreendimento inovadores e valorizar a cultura, artesanato e tradições locais. 

A estratégia feita pelo município, por meio de investimento em políticas de geração de renda, incentivou o desenvolvimento de empreendedores locais e a continuidade de processos iniciados ao longo dos anos. O artesanato e produção de agricultura local, especialmente a orgânica, recebe apoio da gestão local e parceiros como o Sebrae. 

Na área da cultura, foi criado o Projeto Ecoa Música, que oferece formação musical para a comunidade. O Projeto Despertar Criativo, com foco no protagonismo juvenil, é reforçado o empreendedorismo através da criatividade através de formações na área da Economia Criativa, alguns cursos disponibilizados são: Artes Visuais; Artes Cênicas; Audiovisual; Cultura Digital; Tecnologia; Moda; Gastronomia; Urbanismo e Arquitetura; Memória, Patrimônio Cultural e Ofícios Artísticos.

Além de impactos sociais diretos e indiretos, alguns resultados já podem ser mensurados, em 2020, a cidade ficou em 30° lugar no ranking brasileiro de geração de novos empregos, e além disso, a cidade se tornou referência para outras cidades cearenses pelas iniciativas de geração de emprego e renda

 

*A taxa de participação é a força de trabalho (ocupados mais desocupados) como proporção da população em idade de trabalhar (PIA), que no Brasil inclui aqueles com 14 anos ou mais. 

 

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