ODS 1: Erradicação da Pobreza

Esse é o primeiro de 17 artigos da mais nova série da Rede Juntos: Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Acompanhe a série completa para ter um panorama internacional, nacional e conhecer boas práticas relacionadas a cada um dos ODS.

Foto por UNRIC

O primeiro ODS visa a erradicação de todo tipo de pobreza em todo lugar e é medido pelas seguintes metas:

– Reduzir pela metade o número de pessoas vivendo na pobreza em cada país;
– Erradicar a pobreza extrema no mundo todo – pessoas que vivem com menos de $1,90 por dia;
– Aumentar a proteção às camadas mais vulneráveis com serviços acessíveis e/ou auxílio financeiro;
– Garantir igualdade de oportunidade à ascensão socioeconômica;
– Mitigar o risco dos mais pobres a acidentes climáticos e desastres naturais;
– Mobilização de recursos para que países em desenvolvimento tenham capacidade de mitigar a pobreza em seus territórios;
– Fazer políticas de nível regional, nacional e internacional que apoie o investimento acelerado no combate à pobreza levando em conta também questões de gênero e outras desigualdades.

Embora a renda seja o principal parâmetro para avaliar esse ODS, alguns outros também podem ser considerados, como a fome ou falta de acesso à água potável.

Ainda que o número de pessoas vivendo em extrema pobreza tenha diminuído de 35% da população mundial em 1990 para 10% em 2022 – dados divulgados pela ONU em números brutos, esse dado não é tão otimista assim, afinal de contas, a população foi de 5 para quase 8 bilhões nesse meio tempo. De acordo com o Banco Mundial em 2020, 17% das crianças no mundo vivem em situação de extrema pobreza. Junto aos adultos, somam mais de meio bilhão de pessoas nessa situação. Sem contar os impactos sócio-econômicos da pandemia cuja dimensão ainda é difícil estimar, mas que especialistas da ONU estimam ter contribuído para retroceder o equivalente a quatro anos na batalha contra a pobreza, guerras entre nações e guerras civis impedem o avanço do ODS 1 em diversas partes do mundo.

Alguns países lidam com muito mais pobreza do que outros. Em um extremo, Sudão do Sul: 82% da população vivendo em extrema pobreza. No outro, Islândia: menos de 1%. Essa discrepância faz com que as ações necessárias em cada nação para erradicar a pobreza e bater suas respectivas metas sejam muito diferentes e precisem de atenção internacional diferente. Instabilidade política, processos recentes de independência, atuação periférica e concentrada no mercado de bens de consumo primários são características que acompanham altas taxas de pobreza ao redor do mundo.

O Brasil, com 5% da população em extrema pobreza – dados do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) de 2019 – estatísticas melhores do que as mundiais, recebe as cores amarela e laranja, respectivamente, para as duas sub métricas do ODS 1: renda abaixo de R$9,80 por dia (pobreza extrema) e abaixo de R$16,50 por dia (pobreza). As previsões do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) são de que até o fim de 2022 a pobreza extrema no país tenha caído para 4,1%, tendência oposta às previsões mundiais.

Ações constantes, sob diversas abordagens e em concerto entre diferentes atores na escala local e internacional, nos âmbitos públicos e privados, federais, estaduais e municipais, são necessárias para que as metas do ODS-1 sejam batidas até 2030. Confira abaixo iniciativas nacionais e internacionais que contribuíram/contribuem para a erradicação da pobreza.

Boas práticas

Em Florianópolis (SC) o Banco Comunitário de Frei Damião utilizou moedas sociais como meio de apoio às famílias locais no início de 2020. Após a pandemia, muitos ficaram com fonte de renda reduzida ou suspensa, afetando o acesso a recursos básicos cotidianos. As moedas sociais podiam ser utilizadas através de um aplicativo específico ou do CPF, servindo apenas para a compra de alimentos, produtos de higiene e limpeza nos comércios da comunidade Frei Damião. Leia mais aqui.

Em Stockton, Califórnia, foi implementado em 2018 o programa Universal Basic Income (Renda Básica Universal). A ideia do programa é promover segurança para a camada da população em situação de vulnerabilidade socioeconômica extrema, fornecendo $500,00 ao mês para algumas centenas de residentes. Diversos empresários apoiaram o programa, incluindo o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg. Leia mais aqui.

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Referências:
SDG 1 Indicators, SGD Counting, 2016.
End poverty in all its forms everywhere, United Nations, s.d.
Poverty Rate by Country 2022, World Population Review, 2022.
Poverty headcount ratio at $1.90 a day (2011 PPP) (% of population), The World Bank, 2021.
Rankings, Sustainable Development Report, 2021.
Goal 1: End poverty in all its forms everywhere, Sustainable Development Goals, s.d.
Brasil deve encerrar 2022 com índices de extrema pobreza em queda, Agência Brasil, 2022.
Com fomento à economia local, moradores recuperam esperança, Nações Unidas Brasil, 2022.
A city is giving its poorest residents $500 a month — no strings attached, Business Insider, 2018.
1 in 6 children lives in extreme poverty, World Bank-UNICEF analysis shows, The World Bank, 2020.

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