Utilização de Energia Verde pioneira na América Latina chega a órgãos públicos do Rio de Janeiro
Utilização de Energia Verde pioneira na América Latina chega a órgãos públicos do Rio de Janeiro
A adoção de eficiência energética em prédios públicos recebe atenção especial de diversos países por dar o exemplo no combate ao aquecimento global

Rio de Janeiro: gestão do prefeito Eduardo Paes anunciou neste mês que a sede de seu governo passa agora a ser abastecida desta forma inovadora e emblemática, com energia renovável (Leandro Fonseca /Exame)
A discussão sobre a necessidade da utilização da chamada energia verde, ou energia limpa, não é nova.
Mas quis a história que os cariocas se tornassem pioneiros na utilização de energia renovável em órgãos públicos na América Latina, já que a gestão do prefeito Eduardo Paes anunciou neste mês que a sede de seu governo passa agora a ser abastecida desta forma inovadora e emblemática.
E a cidade não vai parar por aí: o mesmo programa inclui mais 20 unidades de saúde e a expansão para toda a rede de prédios municipais.
As iniciativas para a adoção de medidas de eficiência energética em prédios públicos vêm recebendo a atenção especial de diversos países pela sua importância em contribuir na redução das emissões que impactam o clima do planeta ou pelo papel tecnológico estratégico que desempenham.
O que está sendo feito no mundo
- No Reino Unido se destaca o Programa “certificação em eficiência Energética” (Energy Efficiency Accreditation Scheme- EEAS), uma certificação independente em que se reconhece a redução do uso de energia em organizações dos setores público e privado. Na França, desde 2015 já existem normas que regulamentam a melhoria da eficiência energética de equipamentos e edifícios.
- Na Alemanha, para tratar das questões relacionadas à eficiência energética, há a Agência Alemã de Energia (Deutsche Energie Agentur- DENA), criada em 2008. Entre os Programas e Ações de Eficiência Energética sob sua responsabilidade existe o Programa “Certificado de Desempenho Energético das Edificações”.
- Nos EUA, foi criado o ESPC (Energy Services Performance Contracts), que contempla redução de consumo de energia em prédios públicos, inserido na década de 70 no FEP (Federal Energy Program).
- Em Portugal, o Programa para a Eficiência Energética em Edifícios, vinculado à Administração Pública Portuguesa, tem por missão contribuir para a concepção, a promoção e avaliação das políticas relativas à energia e aos recursos geológicos.
Como está a discussão no Brasil
O Brasil tem desde 1985 um Programa de Conservação de Energia Elétrica, o PROCEL. Passou por uma grande crise energética em 2001. Algumas leis, decretos são aplicáveis a prédios públicos, e várias iniciativas ministeriais buscam a racionalização do consumo de recursos energéticos nesses locais.
A busca da eficiência energética nas edificações públicas têm um papel fundamental como política pública tanto como efeito demonstrativo quanto como indutor do mercado. Mais importante ainda, mostra para a sociedade a coerência do governo entre o discurso e a ação.
Em 2019, estimava-se que apenas 11,2% da energia consumida no mundo eram renováveis. Na América Latina, no entanto, o percentual chega a 25%, e a região tem bons exemplos no caminho da transição verde, aos quais agora se soma o do Rio de Janeiro, que pode inspirar outros órgãos públicos ao redor do mundo.
No Uruguai, se 35% da eletricidade gerada vinha de combustíveis fósseis em 2000, duas décadas depois, praticamente toda ela é limpa.
Segundo o Balanço Energético Nacional de 2021 do país, 57% da energia usada era renovável. Bem acima da média, o percentual é resultado de uma iniciativa tomada em 2008. Atualmente, o país está focado em uma “segunda transição energética” para despoluir seu setor de transportes, o maior emissor de CO2 do país.
A inovação do Rio
O caso do Rio de Janeiro é bastante emblemático: o Programa de Eficiência Energética (PEE) da Prefeitura do Rio prevê uma economia superior a R$30 milhões nas despesas de energia na sede administrativa da cidade em cinco anos. A ação também vai evitar a emissão de 40 mil toneladas de CO2 e, com isso, zerar as emissões de gases de efeito estufa.
Além disso, em maio o projeto rendeu à Prefeitura o Prêmio InovaCidade 2023, realizado pelo Instituto Smart City America Business, na categoria “Inovação e Sustentabilidade Ambiental”.
Embora relevante para a cidade do Rio de Janeiro, o impacto econômico de uma iniciativa para um país como o Brasil pode até ser pequeno.
Mas a iniciativa carioca pode sensibilizar outros gestores públicos brasileiros para que possam replicar práticas compatíveis em instalações sob sua responsabilidade, estimulando a inserção dos conceitos de eficiência energética nas edificações públicas em todo o território nacional.
A chave para enfrentar a crise relacionada à mudança climática é o fim da nossa dependência da energia gerada a partir de combustíveis fósseis – sua principal causa. Precisamos priorizar a transformação dos nossos sistemas e acelerar a mudança para fontes renováveis – porque sem isso pode não haver futuro.
Essa empreitada vai requerer esforços de toda a sociedade e, portanto, o engajamento dos nossos gestores públicos nessa jornada é mais que bem-vindo.
Regina Esteves é diretora-presidente da Comunitas.
Artigo publicado originalmente na coluna da revista Exame.
*Esse conteúdo pode não refletir a opinião da Comunitas e foi produzido exclusivamente pelo especialista da Nossa Rede Juntos.
Veja os comentários desta publicação
Deixe seu comentário!
Postagens relacionadas
Nova agenda regulatória da ANS será decisiva para futuro da saúde suplementar no Brasil
O que gestores públicos podem aprender para fortalecer a adaptação climática
Confira 6 experiências que mostram como o Brasil está reinventando a gestão pública
Lideranças com espírito público
Somos servidores, prefeitos, especialistas, acadêmicos. Somos pessoas comprometidas com o desenvolvimento dos governos brasileiros, dispostas a compartilhar conhecimento com alto potencial de transformação.
Excelente matéria sobre o PEE – Transição Rio em especial do Projeto Rio de Energia Verde.
Sou o gerente de projetos pelo programa na Prefeitura e estamos muito contentes pois o projeto foi novamente premiado no 4° Conexão Inova!!