Os desafios enfrentados para a imunização contra o COVID-19

 

O Brasil sempre foi referência quando o assunto é vacinação, devido ao Sistema Único de Saúde (SUS). Porém, a pandemia de COVID-19 trouxe desafios inéditos para a imunização do País, pois são diferentes imunizantes, com intervalos para aplicação diversos e sem possibilidade de intercambialidade entre eles. Para o interior da nação, o desafio para a entrega das doses pode ser ainda maior.
Entre os desafios está a logística necessária para a distribuição de insumos hospitalares, à exemplo da crise pela falta de oxigênio ocorrida no Amazonas. Uma das formas de mitigar o problema é fortalecer as já existentes centrais de distribuição regionais, assim o compartilhamento local é simplificado, da mesma forma que o armazenamento e transporte para áreas mais distantes é facilitado. Sobretudo o Brasil, que possui um esquema de imunização completo no combate às doenças dominantes no país, onde utiliza a infraestrutura de transportes existentes.
Foto: Tarso Sarraf/AFP
Outro desafio enfrentado especialmente no interior do País, é o planejamento da cadeia do frio, que envolve o monitoramento constante da temperatura da vacina. A Rede de Frio, prevista no Plano Nacional de Imunização (PNI), determina que os requisitos para a conservação dos imunizantes sejam com temperatura entre 2ºC e 8ºC – para produtos que precisam ser conservados sob refrigeração, ou entre -15°C e -25°C – para aqueles que devem ser mantidos congelados. Esse aspecto torna-se ainda mais difícil, visto que qualquer vacina que não se enquadre nesse parâmetro, terá uma entrega mais demorada. A vacina mais complexa no quesito distribuição é da farmacêutica Pfizer, que precisa ser transportada e armazenada a -70 graus Celsius (ºC).
A identificação da população vacinada é outro desafio, pois é importante saber quem tomou o imunizante, para garantir que as duas doses sejam aplicadas e também para medir a cobertura e efetividade da vacina.

Boas práticas

Como vimos, os desafios são vários, mas municípios e estados brasileiros estão desenvolvendo iniciativas para driblá-los. É o caso do Amazonas, de proporção maior que muitos países, que montou uma força tarefa para o transporte das doses da vacina, de forma racional e otimizando custos. No estado, dependendo do tipo de locomoção, a viagem ultrapassa 36 horas, sendo que a recomendação é de tempo máximo estimado em 24h para o traslado das vacinas. 
Já os Estados do Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Piauí, com dinâmicas e metas diferentes, encontraram uma forma de incentivar a população a se vacinar por meio de incentivos financeiros.
No estado do Rio Grande do Sul, a proposta prevê disponibilizar R$ 1,25 milhão, que será repassado aos municípios que, proporcionalmente, mais se vacinarem. Para o Mato Grosso do Sul, a dinâmica irá viabilizar a quantia de R$ 5.899.727,40, que será repassada de acordo com a população do município estimada, e dividida em seis parcelas, referente a quantidade de meses que serão efetuados os repasses (julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro). No caso do Piauí, os 224 municípios do estado receberão um incentivo de R$ 1,50 por cada registro de dose aplicada. 
No Maranhão, o incentivo será por meio de sorteio de prêmios de até R$ 10 mil entre as pessoas que tomarem a segunda dose – o governo afirma que deve investir até R$ 3 milhões na ação.
Ainda no nordeste, a Paraíba está oferecendo bônus para os profissionais de saúde. Cada equipe que bater a meta de vacinação receberá R$ 3 mil do estado. Mensalmente, serão contemplados 20 municípios. 
Além disso, a parceria entre o setor público e a iniciativa privada também é uma saída para ampliar a vacinação. Em Campo Grande (MS), por exemplo, a união entre a Prefeitura Municipal e o aplicativo de transporte Uber oferece viagem sem custo para quem está se locomovendo para a vacinação – desde que não ultrapasse o valor de R$ 25 reais. No total, a parceria oferecerá R$ 100 mil em desconto de viagem.
Outro exemplo é a governança público-privada montada para a construção da nova fábrica de vacinas do Instituto Butantan. Liderada pela Comunitas, organização da sociedade civil especializada em modelar e implementar parcerias sustentáveis entre os setores público e privado, pelo Governo de São Paulo (por meio da InvestSP) e pela Fundação Butantan, a iniciativa está mobilizando o setor privado para investir na obra e, até o momento, arrecadou R$ 187,8, com a doação de 41 grandes empresas.
As obras de montagem e ampliação da nova fábrica de vacinas tiveram início em novembro.  Ela será batizada com o nome de Centro Multipropósito Para Produção de Vacinas (CMPV). A estrutura física do prédio já existe, mas está sendo adaptada, ampliada e modernizada para a produção totalmente nacional da vacina, eliminando a necessidade de importação do IFA (Insumo Farmacéutico Ativo), matéria-prima que dá origem ao imunizante Coronavac.
A Coronavac é fruto da parceria do Instituto Butantan com a farmacêutica chinesa Sinovac. Com a transferência de tecnologia e a ampliação das instalações, o Butantan terá independência produtiva do imunizante e capacidade estimada de cerca de 100 milhões de doses fabricadas por ano.
A nova fábrica, de 7 mil m², será quase quatro vezes maior que a atual fábrica do Instituto Butantan, que tem 1.880 m². Além da Coronavac, a nova planta terá tecnologia para produzir também outros imunizantes. 

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