Políticas de Incentivo à Intervenção do Cidadão em Situações de Assédio

Em mais uma exposição da utilização das ciências comportamentais, viemos apresentar essa boa prática na Austrália – que aproveitou essa sabedoria para implementar programas de combate ao assédio sexual e incentivo da intervenção do cidadão nessas situações.

Outros materiais que produzimos anteriormente, já abordaram a tendência aplicada a diversas áreas. Agora, o tema está atrelado à Segurança e aos Direitos das Mulheres.

Contexto

O problema de assédio e abuso sexual no país é escopo de pesquisas e estudos aprofundados sobre o assunto. No entanto, mesmo com os altos índices de incidência – principalmente em ambiente universitário – queixas não são feitas pelas vítimas nem intervenções por aqueles que presenciaram o ocorrido.

Testes em ambiente acadêmico foram estabelecidos com a intenção de mudar o comportamento dos alunos e suas percepções sobre esses acontecimentos. A estratégia por trás das medidas era atuar no ponto formativo desses jovens para que se tornem adultos melhores no futuro.

O que é o assédio?

O assédio pode ser refletido em diferentes comportamentos, como uma piada grosseira, abordagem indesejada ou tratamento invasivo. Falas, mensagens, envio de imagens de teor sexual também entram nesta definição. Esse tipo de situação é extremamente prejudicial a quem vivencia e a organização, seja ela universitária ou profissional, em que o indivíduo esteja inserido.

Intervenção do Cidadão

Todas as iniciativas são válidas, mas uma delas se destacou a fim de transformar essa realidade australiana. O esforço destinado foi para que os espectadores de tais crimes se tornem ativos frente à questão – ou seja, estejam munidos a fim de intervirem caso testemunhem o assédio.

Uma postura proativa para agir em resposta recebeu incentivo em virtude da mudança do comportamento da população, considerando que anteriormente os cidadãos eram omissos na prestação de ajuda a quem necessitava – mesmo sentindo vontade de intervir no momento e se arrependendo logo após. Essa lacuna entre intenção e ação virou, então, objeto de estudo.

Combate ao assédio

Como forma de combater os episódios, buscaram oferecer orientações sobre onde buscar ajuda e como realizar uma reclamação formal diante do crime por e-mails e comunicados a funcionários e alunos. Ademais, houve a criação de comitês com a finalidade de oferecer treinamentos para prevenção do comportamento em alojamentos do campus – com ampla explanação sobre o que é o consentimento na prática sexual.

Houve uma pesquisa sobre os perfis dos membros da instituição, com perguntas sobre como eles agiriam caso se deparassem com o assédio. Situações hipotéticas também estavam presentes a fim de que o usuário identificasse o fato ocorrido como assédio – ou não. Com isso, os e-mails enviados contavam com sugestões de maneiras de intervir frente a circunstância, as chamadas “normas sociais” de comportamentos apropriados.

Já os treinamentos oferecidos pela instituição e praticados voluntariamente pelos estudantes contavam com insights comportamentais, linguagem simplificada para facilitar o entendimento, exemplos específicos possibilitando a melhor identificação do assédio, destaque no valor da interação para mensurar os impactos positivos de sua atitude e a solicitação de um compromisso com a causa.

Resultado das políticas

Evidências comprovadas de que o abusador sente-se desencorajado quando um terceiro intervém foram obtidas. A colaboração faz com que uma cultura que não tolera o assédio seja instaurada e percebida por aqueles que fogem à lei.

Houve aumento no índice de espectadores ativos, que realizaram intervenções, quando o assédio ocorreu. Além dos dados obtidos por abertura e clique nos e-mails, a mudança de comportamento se demonstrou real com a avaliação do intermédio.

Sobre o curso e treinamento, os participantes consideraram o conteúdo valioso e declararam estarem mais atentos e sensíveis às necessidades de quem os rodeia.

Brasil: Incentivo a denúncias em app contra o assédio no transporte público

Uma medida com o mesmo objetivo foi estabelecida aqui no Brasil, na cidade de São Paulo, haja vista a grande incidência de assédio sexual dentro dos transportes públicos.

Frente aos índices alarmantes, a Secretária Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, em parceria com a startup Quicko, lançou um aplicativo em 2021 para que denúncias fossem realizadas – tanto pela própria vítima quanto por outros passageiros que constatem a transgressão durante a viagem.

Orientações são dadas, como os locais de ponto de apoio em paradas ao longo do caminho (linha de ônibus ou metrô) além de alertas e canais de comunicação com autoridades responsáveis por coibir esse comportamento. Os dados coletados pela plataforma são disponibilizados aos órgãos competentes a fim de colaborar com a criação de políticas públicas mais eficazes nesse sentido.

Após relatos que ganharam visibilidade nas emissoras de televisão, diversas campanhas também foram espalhadas pelo país. Os dizeres geralmente abordavam avisos como “Meu corpo não é público! Assédio sexual é crime”; “Ônibus é lugar de respeito. Chega de abusos!”; “Assédio não é passageiro!”; entre outros.

 

Confira aqui dicas de replicabilidade!

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