Confira 7 aprendizados da formação “Como Implementar Parcerias Público-Privadas de Impacto Social”
A contratualização é um mecanismo legal que pode ajudar o Estado a ampliar a oferta e melhorar a qualidade dos serviços públicos, tornando a administração pública mais eficiente e eficaz
O Brasil está passando por uma revolução silenciosa no âmbito da administração pública. Essa transformação está sendo conduzida por governos de diferentes orientações políticas e está fundamentada em uma base legal sólida e bem estabelecida. O marco inicial desse processo foi a reforma do Estado nos anos 90, e ao longo dos anos, ele se desdobrou em diversas iniciativas.
De lá para cá, foram criados vários mecanismos com o propósito de oferecer segurança jurídica aos gestores que buscam aperfeiçoar a prestação de serviços públicos à população. Dentre eles, podem-se citar a Lei das Concessões Públicas, de 1995, a Lei das Organizações Sociais, também de 1995, a Lei das Parcerias Público-Privadas, de 2004 e o Marco Regulatório da Sociedade Civil (MROSC) de 2014.
Com a variedade de instrumentos legais disponíveis para estabelecer contratos, é compreensível que surjam dúvidas sobre qual deles escolher. Afinal, qual é o mais adequado para cada situação?
Que tal aprender como contratualizar serviços públicos?
Inscreva-se na trilha “Como Implementar Parcerias Público-Privadas de Impacto Social”, oferecida pela Comunitas e disponibilizada na Plataforma Rede Juntos. A formação é composta por 4 módulos que abordam os principais aspectos da contratualização de serviços públicos, além de conferir certificado.
A seguir, confira uma lista com os 7 aprendizados que você vai encontrar na formação.
1 – O objetivo da contratualização é promover a equidade no acesso a serviços
É preciso explicar que os modelos de contratualização não enfraquecem o alcance das políticas públicas e nem o papel do Estado. Ao contrário, eles visam garantir uma atuação estatal mais eficiente e promover a igualdade no acesso aos serviços públicos.
Atualmente, a maioria dos serviços públicos no Brasil é oferecida pelo Estado, mas a qualidade desses serviços é diferente do que se pode encontrar na iniciativa privada. Isso contribui para a perpetuação das desigualdades, pois os cidadãos de menor renda têm acesso a serviços de pior qualidade. As parcerias público-privadas podem ajudar a melhorar a qualidade dos serviços públicos, pois permitem que o Estado conte com a expertise do setor privado.
2 – Os modelos de contratualização devem ser adaptados às necessidades específicas de cada política pública
Os governos contratam serviços públicos por duas razões principais: para ampliar a oferta ou melhorar a qualidade dos serviços. Para identificar a necessidade de ampliar a oferta, os governos podem analisar indicadores como filas de espera para matrículas, exames e consultas, por exemplo. Para identificar a necessidade de melhorar a qualidade dos serviços, os governos podem fazer a seguinte reflexão sobre sua atuação direta, buscando responder questões como:
- Os funcionários estão motivados?
- Existe um plano de carreira?
- O número de funcionários é suficiente?
- O serviço é dinâmico e demanda agilidade?
- É possível atender as demandas a tempo?
- É possível obter qualidade nas compras e aquisições necessárias à prestação do serviço?
As respostas a essas perguntas podem indicar que a contratualização do serviço público trará retornos positivos para a gestão.
3 – Gestão pública e contratualizações de longo prazo é sobre deixar legados
A administração pública é sobre deixar legados, que podem ser de melhoria da qualidade de vida da população, de eficiência no uso dos recursos públicos ou de inovação. E, para isso, é preciso pensar a longo prazo.
No caso da contratualização de serviços públicos, o gestor precisa considerar que os resultados positivos de uma boa contratação podem ser sentidos por muitos anos, mesmo que não seja durante a sua gestão. E, embora isso possa ser desmotivador – principalmente ao se levar em conta o fator político, é preciso pensar nos benefícios que essa ação vai proporcionar à população.
4 – A gestão dos contratos pode ser centralizada, mas a fiscalização é descentralizada
Uma tendência que tem sido observada com relação à contratualização é a crescente profissionalização dos governos, que estabelecem departamentos especializados, com profissionais capacitados para gerenciar contratos com vistas a garantir a eficiência e transparência das ações.
A centralização da gestão dos contratos pode facilitar a coordenação e o controle dos mesmos. No entanto, a descentralização da fiscalização permite que os órgãos competentes, como o Tribunal de Contas e o Ministério Público, exerçam sua função de controle.
5 – Relação custo-benefício na escolha do ator parceiro
A escolha do parceiro para contratos públicos é um processo complexo, que envolve uma série de fatores a serem considerados. O objetivo é escolher o parceiro que melhor atenda às necessidades da administração pública, considerando o custo, a qualidade do serviço e outras questões relevantes.
Entretanto, a relação custo-benefício só foi introduzida a partir da criação da Nova Lei de Licitações e Contratos (NLLC). Antes disso, o menor preço era o único critério para a escolha do parceiro na licitação.
6 – É preciso que o edital tenha bons indicadores para a gestão dos contratos
Os indicadores são ferramentas importantes para a gestão de contratos públicos, visto que ajudam a garantir que os contratos sejam executados de forma eficiente e eficaz. Para que sejam úteis, os indicadores devem possuir os seguintes atributos:
- Inteligibilidade: os indicadores devem ser claros e fáceis de entender por todos os envolvidos;
- Confiabilidade: os dados que compõem os indicadores devem ser confiáveis e auditáveis;
- Mensurabilidade: os indicadores devem ser baseados em dados que podem ser medidos e comparados;
- Periodicidade: os dados que compõem os indicadores devem ser coletados com frequência suficiente para permitir o monitoramento da implementação do contrato;
- Historicidade: os indicadores devem ser acompanhados ao longo do tempo para permitir a avaliação do desempenho do contrato;
- Comparabilidade: os indicadores devem ser comparáveis com outros indicadores de serviços similares.
7 – A contratualização de serviços públicos deve ser feita com a participação do mercado e da sociedade civil
Antes de mais nada, o gestor precisa ter consciência que a contratualização de um serviço é uma ação do Estado e, portanto, é passível de controle social.
Ao envolver o mercado e a sociedade civil no processo de contratualização, abre-se espaço para a contribuição de diversos setores da comunidade. Isso não apenas promove a transparência e a participação democrática, mas também possibilita uma maior diversidade de perspectivas e conhecimentos na definição e gestão dos contratos públicos.
No entanto, é fundamental manter em mente que, independentemente das parcerias estabelecidas, a responsabilidade final pela prestação de serviços públicos permanece com o Estado, que deve zelar pelo bem-estar e pelos direitos dos cidadãos.
Por esse texto, você já conseguiu compreender a importância da contratualização, né? Aprenda como implementá-las na nossa trilha agora mesmo!
Postagens relacionadas
Quais são as responsabilidades de uma equipe de transição?
O papel do verificador independente em contratos por desempenho
Nova agenda regulatória da ANS será decisiva para futuro da saúde suplementar no Brasil
Lideranças com espírito público
Somos servidores, prefeitos, especialistas, acadêmicos. Somos pessoas comprometidas com o desenvolvimento dos governos brasileiros, dispostas a compartilhar conhecimento com alto potencial de transformação.
Deixe seu comentário!