PT | EN | ES

Por que planos de turismo não funcionam — e o que Maringá está fazendo diferente

Publicado em: 15.04.26
Escrito por: Annibal Bianchini Tempo de leitura: 4 min Temas: Desenvolvimento econômico, Governança Compartilhada, Planejamento Estratégico, Planejamento Urbano, Turismo
Voltar ao topo

O problema não está na falta de planejamento. Está na ausência de governança, execução e continuidade.

O Brasil não precisa de mais planos de turismo

Essa afirmação pode soar provocativa — mas é necessária.

O Brasil está cheio de planos de turismo:

  • municipais
  • regionais
  • estaduais
  • nacionais

Todos bem estruturados.

Todos com diagnósticos consistentes.

Todos com boas intenções.

E, ainda assim, a maioria não sai do papel.

O problema não é falta de planejamento.

O problema é que planejar virou um fim — e não um meio.

O mito do plano salvador

Existe uma crença recorrente na gestão pública:

Precisamos fazer um plano de turismo.

E então começa o ciclo:

  • contrata-se uma consultoria
  • realizam-se oficinas
  • constrói-se um documento técnico
  • apresenta-se à sociedade

E depois…

👉 nada acontece.

O plano vira:

  • um PDF institucional
  • uma exigência burocrática
  • ou um documento para captação de recursos

Mas não vira gestão real.

O problema real: não é estratégia — é execução

Ao revisar o Plano Municipal de Turismo de Maringá (2023–2033), uma constatação ficou evidente:

👉 Nunca faltaram ideias.

Foram analisados 18 estudos e documentos anteriores, acumulados ao longo de mais de uma década.

O resultado?

  • 121 ações identificadas
  • depois refinadas para 98
  • depois para 69
  • e finalmente consolidadas em 62 ações estratégicas

Ou seja:

👉 o problema nunca foi falta de propostas

👉 foi falta de capacidade de execução

O próprio plano reconhece isso ao afirmar que:

uma estratégia e um plano sem uma governança adequada não trarão resultados consistentes e efetivos 

Onde os planos falham (na prática)

A experiência prática mostra que os planos de turismo falham por cinco motivos principais:

1.  Excesso de ações

Planos viram listas extensas de intenções — sem foco real.

2. Falta de priorização

Tudo é importante.

Logo, nada é prioridade.

3. Ausência de responsáveis claros

Quem executa? Quem responde? Quem cobra?

Na maioria dos planos, isso simplesmente não está definido.

4. Governança fragmentada

Turismo depende de:

  • poder público
  • iniciativa privada
  • entidades
  • academia

Sem articulação, nada acontece.

5. Descontinuidade política

A cada troca de gestão, o plano recomeça do zero.

O ponto central: planos falham por falta de governança

Esse é o verdadeiro diagnóstico: Planos de turismo não falham na estratégia.

Eles falham na governança.

No caso de Maringá, isso ficou claro desde a construção do plano:

  • envolvimento do Conselho Municipal de Turismo (CMTur)
  • participação do Codem
  • integração com o trade
  • validação em conferência pública

Mais do que isso:

Cada ação passou a ter:

  • responsável
  • executor
  • possível financiador

👉 Isso transforma um plano em um instrumento de gestão, não apenas um documento técnico.

O caso Maringá: o que está sendo feito diferente

Maringá parte de um princípio simples — e pouco aplicado no Brasil: planejamento só faz sentido se estiver conectado à execução.

Na prática, isso significa:

  • redução e priorização real das ações
  • definição clara de papéis
  • governança ativa e compartilhada
  • articulação com desenvolvimento econômico
  • visão de longo prazo (10 anos), protegida contra descontinuidade

Além disso, o plano não foi construído isoladamente.

Ele é resultado de:

  • pré-conferências
  • conferência municipal
  • participação ampla do ecossistema

👉 Isso gera algo fundamental: compromisso coletivo com a execução

O erro estrutural do turismo no Brasil

O turismo, historicamente, foi tratado como:

  • promoção
  • evento
  • calendário

Mas não como política pública estruturante.

Isso gera um efeito direto:

👉 planos existem, mas não se conectam com orçamento, gestão e resultado

Sem isso, o plano não transforma a cidade.

Ele apenas organiza intenções.

O que faz um plano funcionar de verdade

Se há uma lição clara, é esta: Um plano de turismo só funciona quando deixa de ser um documento e passa a ser um sistema de gestão.

Isso exige:

  • governança ativa
  • metas acompanhadas
  • responsabilidade definida
  • integração institucional
  • continuidade entre gestões

👉 Planejamento sem execução é diagnóstico.

👉 Execução sem planejamento é improviso.

O que funciona é a combinação dos dois.

Conclusão: o plano não é o fim — é o começo

O maior erro da gestão pública é acreditar que o trabalho termina quando o plano fica pronto.

Na verdade, é exatamente aí que ele começa.

👉 O valor de um plano não está no que está escrito, está no que é executado.

E mais:

👉 não é o plano que transforma o turismo e sim a capacidade de colocá-lo em prática!



*Esse conteúdo pode não refletir a opinião da Comunitas e foi produzido exclusivamente pelo especialista da Nossa Rede Juntos.

Artigo escrito por: Annibal Bianchini
Secretário de Aceleração Econômica e Turismo
Prefeitura Municipal de Maringá
O que você
achou desse
conteúdo?

Média: 0 / 5. Votos: 0

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar!

Compartilhe
este conteúdo:

Deixe seu comentário!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Lideranças com espírito público

Somos servidores, prefeitos, especialistas, acadêmicos. Somos pessoas comprometidas com o desenvolvimento dos governos brasileiros, dispostas a compartilhar conhecimento com alto potencial de transformação.

Rede Juntos
Visão geral de privacidade

Este site utiliza cookies para que possamos oferecer a você a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e desempenham funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.