O problema não está na falta de planejamento. Está na ausência de governança, execução e continuidade.
O Brasil não precisa de mais planos de turismo
Essa afirmação pode soar provocativa — mas é necessária.
O Brasil está cheio de planos de turismo:
- municipais
- regionais
- estaduais
- nacionais
Todos bem estruturados.
Todos com diagnósticos consistentes.
Todos com boas intenções.
E, ainda assim, a maioria não sai do papel.
O problema não é falta de planejamento.
O problema é que planejar virou um fim — e não um meio.
O mito do plano salvador
Existe uma crença recorrente na gestão pública:
Precisamos fazer um plano de turismo.
E então começa o ciclo:
- contrata-se uma consultoria
- realizam-se oficinas
- constrói-se um documento técnico
- apresenta-se à sociedade
E depois…
👉 nada acontece.
O plano vira:
- um PDF institucional
- uma exigência burocrática
- ou um documento para captação de recursos
Mas não vira gestão real.
O problema real: não é estratégia — é execução
Ao revisar o Plano Municipal de Turismo de Maringá (2023–2033), uma constatação ficou evidente:
👉 Nunca faltaram ideias.
Foram analisados 18 estudos e documentos anteriores, acumulados ao longo de mais de uma década.
O resultado?
- 121 ações identificadas
- depois refinadas para 98
- depois para 69
- e finalmente consolidadas em 62 ações estratégicas
Ou seja:
👉 o problema nunca foi falta de propostas
👉 foi falta de capacidade de execução
O próprio plano reconhece isso ao afirmar que:
uma estratégia e um plano sem uma governança adequada não trarão resultados consistentes e efetivos
Onde os planos falham (na prática)
A experiência prática mostra que os planos de turismo falham por cinco motivos principais:
1. Excesso de ações
Planos viram listas extensas de intenções — sem foco real.
2. Falta de priorização
Tudo é importante.
Logo, nada é prioridade.
3. Ausência de responsáveis claros
Quem executa? Quem responde? Quem cobra?
Na maioria dos planos, isso simplesmente não está definido.
4. Governança fragmentada
Turismo depende de:
- poder público
- iniciativa privada
- entidades
- academia
Sem articulação, nada acontece.
5. Descontinuidade política
A cada troca de gestão, o plano recomeça do zero.
O ponto central: planos falham por falta de governança
Esse é o verdadeiro diagnóstico: Planos de turismo não falham na estratégia.
Eles falham na governança.
No caso de Maringá, isso ficou claro desde a construção do plano:
- envolvimento do Conselho Municipal de Turismo (CMTur)
- participação do Codem
- integração com o trade
- validação em conferência pública
Mais do que isso:
Cada ação passou a ter:
- responsável
- executor
- possível financiador
👉 Isso transforma um plano em um instrumento de gestão, não apenas um documento técnico.
O caso Maringá: o que está sendo feito diferente
Maringá parte de um princípio simples — e pouco aplicado no Brasil: planejamento só faz sentido se estiver conectado à execução.
Na prática, isso significa:
- redução e priorização real das ações
- definição clara de papéis
- governança ativa e compartilhada
- articulação com desenvolvimento econômico
- visão de longo prazo (10 anos), protegida contra descontinuidade
Além disso, o plano não foi construído isoladamente.
Ele é resultado de:
- pré-conferências
- conferência municipal
- participação ampla do ecossistema
👉 Isso gera algo fundamental: compromisso coletivo com a execução
O erro estrutural do turismo no Brasil
O turismo, historicamente, foi tratado como:
- promoção
- evento
- calendário
Mas não como política pública estruturante.
Isso gera um efeito direto:
👉 planos existem, mas não se conectam com orçamento, gestão e resultado
Sem isso, o plano não transforma a cidade.
Ele apenas organiza intenções.
O que faz um plano funcionar de verdade
Se há uma lição clara, é esta: Um plano de turismo só funciona quando deixa de ser um documento e passa a ser um sistema de gestão.
Isso exige:
- governança ativa
- metas acompanhadas
- responsabilidade definida
- integração institucional
- continuidade entre gestões
👉 Planejamento sem execução é diagnóstico.
👉 Execução sem planejamento é improviso.
O que funciona é a combinação dos dois.
Conclusão: o plano não é o fim — é o começo
O maior erro da gestão pública é acreditar que o trabalho termina quando o plano fica pronto.
Na verdade, é exatamente aí que ele começa.
👉 O valor de um plano não está no que está escrito, está no que é executado.
E mais:
👉 não é o plano que transforma o turismo e sim a capacidade de colocá-lo em prática!
*Esse conteúdo pode não refletir a opinião da Comunitas e foi produzido exclusivamente pelo especialista da Nossa Rede Juntos.
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