Hoje (07) é celebrado o Dia Mundial da Saúde. A data foi instituída pela Organização Mundial da Saúde com o objetivo de conscientizar governos de todo o mundo sobre a importância de garantir acesso à saúde de qualidade para todos. Mais do que isso, também reforça a necessidade de promover hábitos que contribuam para o bem-estar e a prevenção, ampliando o olhar sobre saúde para além do tratamento de doenças.
Ao longo dos anos, a data tem servido para refletir sobre os desafios enfrentados pelos sistemas de saúde – especialmente em contextos marcados por desigualdades e limitações de acesso. Nesse cenário, pensar em soluções que tornem os serviços mais eficientes, próximos e resolutivos é fundamental para melhorar a vida das pessoas.
Para marcar a data, a plataforma Rede Juntos reuniu três boas práticas que mostram como diferentes caminhos podem gerar resultados concretos. São iniciativas que nasceram de desafios reais e que ajudam a mostrar como é possível construir soluções mais eficientes, mais organizadas e, sobretudo, mais humanas.
A seguir, confira essas experiências e descubra como a saúde pública pode evoluir quando há intencionalidade, escuta e capacidade de execução.
Regionalização da saúde
O governo de São Paulo assumiu como prioridade o fortalecimento da regionalização da saúde – uma estratégia que busca organizar melhor os serviços no Estado e garantir que o atendimento aconteça de forma mais próxima, eficiente e resolutiva para a população. Na prática, isso significa reduzir a pressão sobre os grandes centros e diminuir desigualdades históricas entre regiões.
Ao longo de diversas oficinas realizadas nas 17 Regionais de Saúde, ficou claro que o problema não era, necessariamente, a falta de serviços, mas a forma como os recursos eram distribuídos e os incentivos existentes para que esses serviços, de fato, acontecessem. Foi a partir desse diagnóstico que o Estado, com apoio da Comunitas, estruturou duas frentes principais.
A primeira foi a revisão da Tabela SUS Paulista. Ao atualizar os valores pagos por procedimentos e complementar os recursos federais com aporte estadual – podendo chegar a até 400% da tabela nacional – o estado passou a dar mais previsibilidade financeira para hospitais e instituições filantrópicas. Com isso, só no primeiro ano de implementação, os repasses superaram R$ 3,9 bilhões, um aumento de 225% em relação a 2022, além da ampliação do número de instituições atendidas. Nesse sentido, foi possível destravar a oferta de serviços e começar a reduzir gargalos históricos nas filas.
A segunda iniciativa foi o Incentivo à Gestão Municipal (IGM), que mudou a lógica de distribuição de recursos aos municípios. Em vez de considerar apenas o tamanho da população, o modelo passou a incorporar indicadores de desempenho — como cobertura vacinal, pré-natal e acompanhamento de doenças crônicas — além de fatores de vulnerabilidade social. Dessa forma, foi possível direcionar melhor os recursos e incentivar resultados na atenção básica, etapa essencial para evitar o agravamento de doenças e a sobrecarga do sistema.
Como resultado, houve aumento nas internações, especialmente de alta complexidade (14,6%), além de crescimento em procedimentos como tomografias (19,9%), radioterapia (8%) e hemodiálise (4,3%). São sinais de um sistema que começa a responder com mais capacidade e organização.
Mãe Santista

Crédito da Imagem: Canva
O projeto é uma iniciativa da prefeitura de Santos voltada ao cuidado integral de gestantes e bebês até os dois anos de vida, criada para enfrentar os desafios da mortalidade materno-infantil no município.
Mesmo com bons indicadores sociais, a cidade chegou a registrar uma das piores taxas do Estado em 2014, com cerca de 13,6 mortes infantis por mil nascidos vivos. A partir desse diagnóstico, o programa foi estruturado para garantir acompanhamento contínuo — do pré-natal ao pós-parto — combinando assistência médica, apoio social e ações educativas.
O Mãe Santista inclui o acompanhamento das gestantes, a entrega de kits educativos e enxovais (vinculados à realização de consultas e exames) e a Escola de Mães, que oferece suporte psicológico, orientação e fortalecimento do vínculo familiar.
Como resultado, o projeto já impactou mais de 14 mil mulheres e contribuiu para a redução da mortalidade infantil para cerca de 7 óbitos por mil nascidos vivos em 2023, abaixo do parâmetro da OMS.
Saiba mais sobre o Mãe Santista com Mariana Trazzi, Chefe do Departamento de Atenção Primária de Saúde de Santos (SP)
Rede Bem Cuidar
A Rede Bem Cuidar é um projeto que nasceu em Pelotas (RS) para humanizar o atendimento na atenção básica de saúde, colocando o usuário no centro das decisões. A partir do uso de metodologias como design thinking, o projeto envolveu gestores, profissionais e a comunidade na cocriação de soluções para tornar os serviços mais ágeis e resolutivos.
O piloto, realizado na UBS Bom Jesus, trouxe melhorias concretas — como a requalificação dos espaços, digitalização de prontuários, ampliação de serviços (incluindo atendimento psicológico) e capacitação de equipes. Ao todo, mais de 130 profissionais foram qualificados, fortalecendo a Estratégia Saúde da Família no município.

Crédito da Imagem: Agência Tellus
Com os resultados, a iniciativa foi ampliada para todo o Rio Grande do Sul em 2021 e hoje está presente em 495 municípios, com 605 equipes custeadas, com previsão de expansão. O modelo também mobilizou investimentos relevantes, incluindo R$ 90,9 milhões em obras de reforma e ampliação de unidades de saúde, além de recursos para implantação e manutenção das equipes.
Um marco mais recente é de 2025, quando o projeto avançou para se tornar uma política pública estadual permanente, com aprovação unânime na Assembleia Legislativa – o que consolida a expansão do projeto como política de Estado, e não apenas de governo.
Reconhecida nacional e internacionalmente, a Rede Bem Cuidar também ganhou status de política pública de inovação no SUS, mostrando como a combinação entre participação, gestão e investimento pode melhorar a experiência e o acesso da população aos serviços de saúde.
E aí, alguma dessas boas práticas tem a ver com a realidade do seu território? Comenta aqui embaixo — queremos conhecer outras experiências que estão transformando a gestão pública!
Postagens relacionadas
Modelo de integração de processos e avaliação de consistência de artefatos em sistemas de gestão
O bem-estar como novo indicador para o desenvolvimento das nações
Governança da água também é uma questão de gênero
Lideranças com espírito público
Somos servidores, prefeitos, especialistas, acadêmicos. Somos pessoas comprometidas com o desenvolvimento dos governos brasileiros, dispostas a compartilhar conhecimento com alto potencial de transformação.
Deixe seu comentário!