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Ano de eleições municipais: O que esperar?

Publicado em: 12.04.24 Escrito por: Liz Dayane Paludetto Rodrigues Tempo de leitura: 5 min
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No Brasil, em 2024, serão eleitos 5.569 prefeitos nas cidades, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral, além de dezenas de milhares de vereadores. É sabido que as eleições ocorrem em outubro, mas o “corre-corre” começa muito antes, principalmente dentro das prefeituras, que envolvem aquela pressa em concluir projetos e entregar resultados por parte dos agentes políticos, bem como o receio dos servidores públicos municipais quanto às mudanças que estão por vir, risco de descontinuidade de ações e retrabalhos que acontecem quando chega nova gestão. Se você é da área pública consegue visualizar muitas coisas que se encaixam nessa situação.

Partindo do princípio que o cliente da prefeitura é o cidadão, todas essas mudanças e incertezas que afetam o funcionalismo público municipal, repercute, certamente, no resultado do serviço prestado. E não é esse o propósito, pelo contrário, a continuidade e aperfeiçoamento das ações e projetos de um Município podem alcançar resultados cada vez melhores para a comunidade. Isso já considerando o famoso ciclo PDCA – sigla em inglês que representa uma das ferramentas mais populares para promover a melhoria contínua das organizações, significa Plan (Planejar), Do (Fazer), Check (Checar) e Act (Agir), que requer constante avaliação e eventuais mudanças de direção em projetos.

É importante destacar também que, mesmo durante o mandato de um prefeito, algumas vezes ocorrem mudanças significativas no alto escalão da Administração, como a troca de um secretário municipal, ou diretor presidente de autarquia, que também pode ser considerada uma ameaça para a continuidade de bons projetos. Ou oportunidade de aperfeiçoamento e novas ideias.

Mudanças são importantes. Esse texto não é uma crítica às mudanças. As trocas proporcionam oxigenação de ambientes e equipes, novas visões, mescla de ideias e, aquela motivação disfarçada de “medo do novo”, que sempre são fatores positivos nas mudanças de gestão. Novas demandas, novos projetos, novos objetivos, resultando no desenvolvimento do Município e bem estar da população.

O ponto aqui é a perenidade. Como fazer com que boas ações e projetos que estão alcançando bons resultados não sejam abandonados? Atualizados, sim. Eliminados pelo simples fato de ser “da gestão anterior”, não! Quando se pergunta o que esperar de um ano de eleições municipais, a resposta, tanto do ponto de vista do cidadão, quanto do servidor público – todos eleitores – é que, independente das mudanças, se aperfeiçoe o que está dando certo, e apoiem sua continuidade.

E, com base na resposta acima, chega a próxima pergunta: Como? Com uma administração bem estruturada, equipes treinadas e capacitadas. Os resultados são ainda melhores em Municípios que adotam a Política de Governança Pública. As ferramentas de gestão que são trabalhadas na Política de Governança proporcionam segurança aos cidadãos em relação à continuidade e aperfeiçoamento da gestão dos serviços públicos.

Uma prefeitura que adota boas práticas como: elaboração de Planejamento Estratégico, ciclo constante de capacitações de servidores, registro, monitoramento e avaliação de indicadores de desempenho, cooperação multi-setorial com foco na missão, visão e valores da organização, bom relacionamento com entidades da sociedade civil organizada, sistemas de gestão, gestão de processos, grupos de trabalho para fins específicos, gestão sistêmica de projetos, entre outras iniciativas, está bem avançada no que diz respeito à segurança e qualidade de gestão.

Em ano de eleições municipais existem dois períodos de relativa turbulência administrativa: período de campanha e período de transição, após a eleição. Quando se tem planejamentos bem elaborados e efetivamente aplicados, no período de campanha as ações não se abalam tanto, e no período de transição, os gestores têm autoridade – e embasamento – para apresentar aos futuros novos membros da Administração o que está em andamento, como está o desempenho, e como poderão ser melhorados os projetos necessários.

Exigir a continuidade de ações e projetos importantes em uma cidade, além de evitar o desperdício de recursos públicos – financeiros e humanos, também requer a participação da população. Os cidadãos têm o dever de acompanhar os indicadores da gestão municipal. Conhecer o que está sendo trabalhado, e conhecer as propostas de campanha, fazer uma analogia entre as áreas e fazer a escolha consciente dos seus representantes.

Sendo assim, em ano de eleições municipais é o que se espera: gestão estruturada, projetos aplicados e devidamente continuados, com suas particularidades de adequações e atualizações atendidas, participação efetiva do cidadão no acompanhamento da gestão, cooperação intersetorial nas prefeituras, boa relação entre o executivo e legislativo, bem como entidades da sociedade civil organizada, voto consciente, equipes técnicas capacitadas, transição com base em Planejamentos Estratégicos, aperfeiçoamento e continuidade de programas e ações, avaliação de indicadores e excelência no serviço público prestado. É esperar muito?



*Esse conteúdo pode não refletir a opinião da Comunitas e foi produzido exclusivamente pelo especialista da Nossa Rede Juntos.

Artigo escrito por: Liz Dayane Paludetto Rodrigues
Diretora de Governança e Relações Internacionais
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Veja os comentários desta publicação

  1. Joice Fabrício disse:

    Excelente reflexão. Precisamos que a governança garanta a transparência nas ações do novo gestor. Ou ficaremos a mercê de políticos populistas que não tem muito compromisso nem mesmo com seu plano de governo.

  2. Monica Cova Gama disse:

    Excelente artigo , pois há uma grande expectativa por parte de cidadãos e servidores públicos para que as mudanças e transições ocorram de forma positiva, mantendo e aperfeiçoando as ações e projetos que já demonstraram resultados eficazes para as comunidades. A chave para alcançar tal objetivo está na adoção de práticas de boa governança, como o planejamento estratégico, a capacitação contínua de equipes, a avaliação de indicadores de desempenho e a cooperação intersetorial, que garantem a segurança e a qualidade na gestão dos serviços públicos. Além disso, a participação ativa da população no processo eleitoral e no acompanhamento da gestão municipal é fundamental. Neste cenário, o ano eleitoral se apresenta não somente como um período de desafios, mas também como uma oportunidade valiosa para a consolidação de avanços significativos na qualidade de vida dos cidadãos. Fico na torcida da boa escolha para essas demandas em cada dos 5.569 municípios.

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