trigésima Conferência das Partes, ou COP30, começa hoje em Belém do Pará, marcando um momento histórico: é a primeira edição realizada no Brasil e também a primeira sediada na Amazônia. 🌎
A Rede Juntos está acompanhando de perto tudo o que acontece na COP30 — das negociações oficiais às iniciativas paralelas que movimentam a cidade. Aqui, você encontrará atualizações diárias sobre os principais debates, acordos e temas do evento.
Foi no Brasil, durante a ECO-92, no Rio de Janeiro, que aconteceu a primeira reunião global sobre mudanças climáticas e sustentabilidade. Dela nasceu a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que deu origem às COPs, encontros anuais entre países para negociar ações contra a crise climática.
Belém vive um clima intenso e vibrante, com diplomatas, ativistas, ministros, jornalistas, empresários, parlamentares e representantes de povos indígenas e comunidades tradicionais circulando pelos espaços oficiais e pelas múltiplas programações que tomam conta da cidade.
Então, gestor público, vamos entender mais sobre a #COP30?

Wagner Meier/Getty Images.
#CÚPULADOSLÍDERES
Apesar de ter sua abertura oficial no dia 10 de Novembro, a COP30 já reuniu líderes e chefes de Estado de mais de setenta países durante a chamada “Cúpula dos Líderes”, que aconteceu entre os dias 06 e 07 de Novembro, também em Belém.
Desse encontro já saíram alguns acordos e declarações importantes, que tem potencial para causar um impacto positivo no futuro climático do planeta.
Um primeiro acordo que merece destaque é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que é chamado de TFFF. O fundo foi proposto pelo Brasil e tem o objetivo de mudar a lógica de remuneração para os países.
Anteriormente a este fundo, organizações que não desmatavam, recebiam apoio e ajuda financeira. O TFFF pretende mudar essa lógica, remunerando não quem não derrubar as florestas, mas quem mantiver a floresta em pé.
O projeto já recebeu apoio de mais de 53 países e a ideia é que o Fundo consiga arrecadar cerca de US$ 5,5 bilhões que devem ser pagos ao longo de dez anos, divididos entre Noruega (US$ 3 bi), Indonésia (US$ 1 bi), Brasil (US$ 1 bi) e França (€ 500 mi). E o Brasil quer chegar a 2026 com US$ 10 bilhões em aportes.
Além disso, os líderes de Estado que estavam reunidos em Belém também discutiram a Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas. A iniciativa foi proposta pelo governo brasileiro e cumpre um papel importante ao relacionar a crise climática com o aumento da pobreza e das desigualdades sociais. A declaração afirma que é necessário um esforço para combater injustiças, diminuir a fome e lutar contra a crise climática. No texto, os chefes de Estado declaram que:
Afirmamos que enfrentar os impactos desiguais das mudanças climáticas e promover uma resposta climática centrada nas pessoas contribuirá para transições justas e para a realização progressiva do direito humano à alimentação adequada e do direito à seguridade social, entre outros direitos humanos. Isso requer diálogo social e a participação, engajamento e empoderamento dos mais afetados pelas mudanças climáticas e pelas políticas relacionadas ao clima.
A Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas, adotada em 7 de novembro de 2025 com o endosso de 43 países e da União Europeia, é um compromisso internacional firmado durante a Cúpula de Líderes da COP30. O documento busca colocar o combate à fome e à pobreza no centro da agenda climática global, destacando que os impactos da crise climática são desiguais e atingem de forma mais severa as populações pobres e vulneráveis. Inspirada pela visão brasileira de enfrentar simultaneamente a pobreza, a fome e a emergência climática, a Declaração propõe uma abordagem que prioriza a adaptação centrada nas pessoas, com foco em medidas como proteção social adaptativa, seguros agrícolas e apoio à resiliência de pequenos produtores rurais. Além disso, o texto defende que o financiamento climático seja direcionado a projetos que gerem emprego, renda e oportunidades para agricultores familiares, povos da floresta e comunidades tradicionais, reforçando o princípio de que o desenvolvimento sustentável deve colocar as pessoas no centro das soluções. A Declaração apresenta oito objetivos mensuráveis e convoca a comunidade internacional e organismos especializados a implementar e acompanhar suas metas, com apoio do Plano de Aceleração de Soluções (PAS), que integra a Agenda de Ação da COP30.
#DIA1
A COP30 começou, oficialmente, nesta segunda-feira, dia 10 de novembro. Com as aberturas oficiais das chamadas blue zone e green zone (zona azul e zona verde) os olhos agora se voltam, de verdade, para as negociações que podem sair de Belém.
Na cerimônia oficial de início do evento, o presidente Lula fez um discurso contundente, afirmando que a COP30 vai ser a Conferência da verdade. Ele aproveitou também para criticar os gastos altos que alguns países têm com guerras e conflitos militares, enquanto os mesmos investimentos não são percebidos na área climática. O chefe de Estado brasileiro disse:
A COP30 será a COP da verdade. Na era da desinformação, os obscurantistas rejeitam não só as evidências científicas, mas também os progressos do multilateralismo. Eles controlam algoritmos, semeiam ódio e espalham o medo. Atacam as instituições, a ciência e as universidades. É momento de impor uma nova derrota aos negacionistas. – Lula da Silva
O destaque do dia foi a aprovação da agenda da Conferência, que marca o início efetivo das negociações entre os países. A definição da agenda costuma ser um dos principais pontos de impasse nas COPs — nas duas edições anteriores, ela só foi concluída após os quatro primeiros dias de evento. Por isso, a aprovação antecipada foi recebida com grande harmonia e interpretada como um sinal positivo do que está por vir.
Highlights
- Governos da Alemanha e da Espanha anunciaram a criação de um novo programa voltado a aumentar a resiliência às mudanças climáticas em países em desenvolvimento, com um aporte conjunto de US$ 100 milhões. A iniciativa foi divulgada em evento paralelo à COP30 e marca um compromisso relevante com a adaptação e o apoio internacional diante dos impactos climáticos.
- A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, anunciou que 111 Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) já foram submetidas — um aumento expressivo em relação às 64 registradas há poucas semanas. O avanço representa cerca de 71% das emissões globais de gases de efeito estufa, mostrando que o Acordo de Paris e o multilateralismo seguem vivos e se fortalecendo. Apesar do progresso, 86 países ainda não enviaram suas metas, incluindo grandes emissores como Índia, Irã e Arábia Saudita.
#DIA2
As negociações começaram oficialmente na COP30! Nos próximos dias, líderes mundiais e representantes dos países vão se debruçar sobre temas urgentes como adaptação climática, transição energética, redução de emissão de gases de efeito estufa (GEE), mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, preservação de florestas, entre outros.
O número de credenciados para a Conferência já superou as 56 mil pessoas, um número menor somente dos credenciados para a COP de Baku, no Azerbaijão (cerca de 67 mil pessoas) e para a COP de Dubai (foram quase 100 mil inscritos).
O desenvolvimento de documentos direcionadores também têm caminhado na conferência. Em 11 de novembro, o documento chamado “Carta da Aliança dos Povos Guardiões da Amazônia” foi entregue ao presidente da COP, o embaixador André Corrêa do Lago. Essa carta defende protagonismo para as populações que vivem nas florestas, quando políticas públicas climáticas forem construídas.
Highlights
- A não participação do governo americano em Belém não é casual, mas resultado de uma decisão política do presidente Donald Trump, que rompeu novamente com o Acordo de Paris, suspendeu metas de redução de emissões e desmontou programas de energia limpa da gestão anterior.
- Mesmo assim, vozes estadunidenses seguem presentes na COP30. Uma delegação informal com líderes estaduais e ex-integrantes do governo Obama participa das discussões em Belém.
- Durante as negociações, o grupo G77 + China recebeu o prêmio “Ray of the Day”, concedido por ONGs às delegações que mais contribuem para o avanço dos acordos climáticos.
- Diferente do tradicional “Fóssil do Dia”, que ironiza países que dificultam o progresso, o “Raio do Dia” reconhece e celebra ações e posturas construtivas que impulsionam o diálogo e a cooperação global.

Criado em 1999, o Fóssil do Dia é um dos rituais mais conhecidos das conferências do clima da ONU. O prêmio, sempre irônico, vai para países ou blocos que, segundo a Climate Action Network (CAN), atrapalham o progresso das negociações, seja por decisões internas, discursos, bloqueios ou falta de ambição climática.
#DIA3
O dia 12 de novembro na COP30, em Belém, viu alguns impasses surgirem nas negociações. As discussões sobre a chamada “Meta Global de Adaptação” (GGA – Global Goal on Adaptation) tem enfrentado alguns desafios. Assim como a falta de regularização dos créditos de biodiversidade dentro de Unidades de Conservação (UCs).
No atual momento das negociações, os países estão buscando entrar em consenso sobre cem indicadores globais de adaptação, para entender se os países estão avançando nas ações de resiliência. Os observadores que acompanham essa temática têm apontado que o Grupo Africano, composto por 54 países, têm tentado postergar essa negociação por dois anos, para retomá-la somente em 2027.
Neste dia 12, os negociadores da COP30 ainda precisavam dar um destino a quatro temas sensíveis que ficaram de fora da agenda oficial da cúpula. Eram questões complexas — financiamento climático, comércio internacional, a chamada “lacuna de ambição” das metas atuais e os relatórios de implementação — que, se discutidas de uma vez, poderiam travar a reunião.
Para evitar um impasse logo de início, a presidência brasileira decidiu separar cada assunto em consultas específicas. A expectativa é que uma nova plenária no sábado (15) apresente um panorama geral do que avançou.
A COP30 já é a segunda maior conferência do clima da história, reunindo mais de 56 mil participantes presenciais, segundo o site britânico Carbon Brief, referência em dados e análises climáticas. O evento conta com representantes de 193 países + União Europeia e fica atrás apenas da COP28, realizada em Dubai.
Highlights
- O Reino Unido recebeu o anti-prêmio Fóssil do Dia, porque travou e atrapalhou as negociações do Programa de Trabalho de Transição Justa.
- Nove Estados da Amazônia Legal lançaram um mecanismo financeiro para pagar pelos serviços ambientais que prestam – cujos custos de preservação hoje saem dos cofres públicos, com pressão fiscal sobre os territórios estaduais.
- A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assinou dois Memorandos de Entendimento (MdEs) com organizações.
- O primeiro deles foi com o Instituto Nacional do Oceano (Inpo), com o objetivo de valorizar o papel fundamental dos oceanos para a vida e a saúde do planeta e das pessoas.
- Já o segundo foi com a Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ), que busca fortalecer as parcerias no campo da saúde, da educação e no enfrentamento das emergências climáticas.
O que não falta na COP30 são conversas e encontros de corredor. Nas áreas de trânsito da Zona Azul um dos assuntos que mais aparece são as transformações tecnológicas e científicas. O uso de novos sistemas para a prevenção de desastres e criação de políticas de prevenção, monitoramento e avaliação também tem aparecido com frequência.
Além disso, as discussões sobre a necessidade de construção de arcabouços legais sobre as questões climáticas têm aparecido e sido foco das conversas entre diplomatas, ativistas, negociadores e membros da sociedade civil.
Nos próximos dias, espera-se que os acordos avancem e que fique mais claro o conteúdo das discussões que estão ocorrendo nas salas da COP30.
#DIA4
Pela primeira vez na história das conferências do clima, a COP30 dedicou um dia inteiro para discutir a conexão entre saúde e meio ambiente. A inclusão inédita desse tema na agenda oficial marca um avanço importante: reconhece-se, que a crise climática não é apenas ambiental ou econômica, mas também um desafio de saúde pública, com impactos diretos sobre a vida das populações, especialmente as mais vulneráveis.
No dia da Conferência dedicada às discussões sobre saúde, o governo brasileiro aproveitou o momento para lançar o Plano de Ação em Saúde de Belém, e sua versão nacional, o Adapta-SUS (2025–2035).
A ideia do plano é reunir esforços regionais, nacionais e internacionais para aumentar a resiliência do setor de saúde no Brasil. O Plano contém três eixos, um deles chamado de inovação e produção sustentável em saúde, prevê incentivos à transição para energias renováveis, à redução de resíduos e ao desenvolvimento de medicamentos mais estáveis e menos dependentes de refrigeração.
Você sabia que o setor de saúde é um dos mais poluentes do mundo, responsável por altas emissões de carbono e pelo uso intensivo de plástico?
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) lançou o Plano Nacional de Arborização Urbana (Planau). O Plano tem como principal objetivo aumentar a arborização urbana, considerando o baixo número de árvores que existem nas cidades brasileiras.
O Secretário Nacional de Meio Ambiente Urbano e Qualidade Ambiental do MMA, Adalberto Maluf, afirmou que:
A principal meta do plano é de aumentar para 65% da população brasileira que vive em ruas que tenham no mínimo três árvores, aumentar em 360 mil hectares a área de arborização e áreas verdes das cidades – Adalberto Maluf
Já em âmbito internacional, também foi dia de lançamentos relevantes na COP da Amazônia. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou uma iniciativa para reduzir pela metade o desperdício de alimentos até 2030 e cortar até 7% das emissões de metano, entendendo que esses esforços colaboram com os objetivos de desaceleração das mudanças climáticas.
A iniciativa foi chamada de “Food Waste Breakthrough” e foi lançada no âmbito da Parceria de Marraquexe para a Ação Climática Global, uma colaboração que reúne governos, cidades e sociedade civil para pensar a relação entre combate à fome e mudanças climáticas.
Highlights
- A União Europeia anunciou que fará uma doação de 20 milhões de euros (cerca de R$124 milhões) ao Fundo Amazônia. A ideia é que o pagamento seja feito durante quatro anos.
- IBGE lança mapa na COP30 destacando o Pará no centro do mundo (veja abaixo!). O Mapa-múndi desta forma, inverte a lógica tradicional do mapa-mundi, pois o hemisfério Sul aparece na parte superior do mapa e o hemisfério Norte, no inferior, trazendo o Brasil e a Amazônia para o centro da visão global.

Agência Brasil.
A preocupação sobre o número crescente de deslocados internos e refugiados climáticos também tem começado a aparecer nas discussões da COP30. Segundo um relatório da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), nos últimos dez anos, os desastres relacionados ao clima provocaram cerca de 250 milhões de deslocamentos internos, o equivalente a cerca de 70 mil deslocamentos por dia.
Veja aqui o que as Nações Unidas falaram sobre!
#DIA5
O quinto dia da Conferência das Partes em Belém começou com protestos e reivindicações de povos indígenas. Em um protesto pacífico ocorrido na manhã de 14 de novembro, indígenas do povo Munduruku bloquearam a entrada da Zona Azul da Conferência, atrasando a abertura dos portões oficiais.
As lideranças indígenas envolvidas no protesto exigiam uma audiência com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e também pediam por mais espaços de participação na COP30.
Depois da normalização da situação na zona oficial da COP30, os representantes dos países conseguiram acessar o pavilhão e as negociações voltaram a acontecer normalmente.
Os debates do dia terão foco na indústria, finanças, mercados de carbono e gases de efeito estufa. Discussões sobre transição energética também devem acontecer, sobre como acelerar a transição e de quais maneiras é possível reduzir a dependência energética com base em combustíveis fósseis.
Highlights
- O dia foi marcado por um anúncio conjunto dos Ministérios do Turismo e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, que apresentaram a chamada “Trilha Amazônia Atlântica”.
- A trilha é um marco no ecoturismo brasileiro, ela contará com 468 km de extensão e nela os visitantes poderão viver uma imersão profunda na história, na cultura, na biodiversidade e nas tradições do Pará.
- Parlamentares da América Latina e do Caribe lançaram a Declaração Conjunta do Observatório Parlamentar de Mudança Climática e Transição Justa (OPCC), que faz um chamado global por um futuro climático mais justo.
Rede Juntos alinhada com a COP30
Aconteceu hoje na zona verde da COP30 um evento que discutiu o papel da tecnologia na construção de cidades mais resilientes e modernas. O debate, chamado “Sustainable cities: building tech-enabled resilient infrastructure”, contou com especialistas no tema de tecnologia, cidades e infraestrutura.
No painel, os especialistas destacaram como a tecnologia pode apoiar a construção de sistemas urbanos mais complexos e eficientes, capazes de elevar de fato a qualidade de vida nas cidades. Eles também enfatizaram a urgência de investir em infraestrutura resiliente, planejada desde o início para responder aos desafios da crise climática que o mundo enfrenta.
Gosta desse tema? Acesse aqui o texto da Rede Juntos sobre cidades inteligentes e cidades cognitivas e saiba mais!
#DIA6
O sábado na COP30 marcou o fim da primeira semana de negociações entre os países membros da UNFCC.
Durante o período da manhã, ocorreu a chamada Marcha Global por Justiça Climática, a maior manifestação desta COP até agora. O protesto reuniu ativistas, militantes, personalidades importantes e políticos em uma caminhada que saiu do Mercado São Bráz. Estiveram presentes também as ministras Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas).
Já nas áreas oficiais da ONU, as negociações continuaram. O dia 15 de novembro teve como foco os seguintes temas:
- Energia,
- Indústria,
- Transporte,
- Comércio,
- Finanças,
- Mercados de Carbono
- Gases não CO₂
O dia foi marcado por debates sobre a relação entre comércio e clima, destacando a necessidade de avançar em reformas nos sistemas financeiro e comercial para que estejam alinhados com os compromissos climáticos globais.
No encerramento da primeira semana, também ficaram mais evidentes alguns impasses dentro da UNFCCC. A agenda de financiamento climático, por exemplo, segue sendo uma das questões mais desafiadoras e de difícil consenso entre os países.
Enquanto os países mais desenvolvidos resistem à ideia de aumentar o aporte de dinheiro para os projetos de adaptação e de transição energética, os países vulneráveis cobram, justamente, o aumento desse valor disponibilizado.
Nesse contexto, a ausência dos Estados Unidos nas negociações tem ampliado o impasse, pois a pressão por assumir os custos adicionais da transição climática tem recaído sobretudo sobre países como a China e sobre blocos econômicos, como a União Europeia.
Expectativas para a semana
O governo brasileiro tem a expectativa de que a chegada de novas lideranças – como ministros e autoridades – ajude a alavancar as discussões e os acordos, dando um tom mais político para o evento.
O presidente Lula deve voltar à Belém na terça-feira, dia 18, enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin deve participar da COP30 a partir de segunda-feira, dia 17/11.
Com o início da segunda, e última, semana de COP30 é possível que os acordos entre os países fiquem mais claros e que os acordos se tornem mais concretos e compreensíveis.
Seguimos de olho em tudo que está acontecendo em Belém!
#DIA7
A segunda-feira, dia 17/11, marcou o início oficial da segunda semana de COP30 no Brasil. A expectativa de autoridades, especialistas, cientistas, políticos e ativistas da área climática aumenta à medida em que os dias passam e a declaração final fica cada vez mais perto.
O primeiro dia desta segunda semana de Conferência foi marcado pela Dia da Juventude, com a participação de crianças e jovens nas negociações da COP30, em um dia inteiramente dedicado a pensar o presente e o futuro delas. Os pavilhões e os corredores da zona azul foram ocupados por crianças e jovens que foram protagonistas de diálogos, debates e propostas.
O dia também foi marcado por mais um anúncio ministerial brasileiro. O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), lançou uma série de iniciativas e estratégias para mitigação dos impactos ambientais nos territórios pesqueiros tradicionais. Movimento que vem desde a aprovação do 1° Plano Nacional de Pesca Artesanal, ocorrida em 6 de setembro de 2025.
Uma das iniciativas apresentadas pelo MPA foi em volta da relação entre mulheres da pesca artesanal e a emergência climática. O documento apresentado na COP30, consta com propostas em eixos norteadores, desde economia da sociobiodiversidade até ordenamento territorial. Conteúdo resultante das Plenárias Regionais e Livres, da Plataforma Brasil Participativo e da Plenária Nacional do 1º Plano Nacional da Pesca Artesanal (PNPA).
Há 1.925.743 pescadoras e pescadores ativos no Brasil, dos quais 966.097 são mulheres – o que corresponde a 50,17% do total, estando presente em todos os biomas brasileiros, em todos os recursos naturais aquáticos, em maior e/ou menor grau, de acordo com dados do Registro Geral da Atividade Pesqueira – SISRGP (MPA, 2025).
Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura:
O documento reúne propostas construídas coletivamente pelas comunidades pesqueiras artesanais de todos os biomas do país, com foco nas intersecções entre gênero, emergência climática e sustentabilidade.
Apesar disso, o dia foi marcado por novos impasses e dificuldade de avanços nas negociações centrais. Segundo os observadores das negociações, países dos chamados Estados Árabes (Arab Group) e do bloco Grupo de Países em Desenvolvimento com Ideias Semelhantes (LMDCs, Like-Minded Developing Countries) tem tentado retirar alguns tópicos do relatório da presidência das negociações, como, por exemplo, a menção à combustíveis fósseis e outros temas considerados sensíveis por eles.
Estados Árabes Os Estados Árabes são um bloco de negociação regional composto por 22 países árabes. Formado em 1945, o bloco desempenha um papel coletivo na definição e promoção dos interesses climáticos de seus membros em negociações internacionais. Países em Desenvolvimento com Ideias Semelhantes O grupo surgiu formalmente nas negociações da UNFCCC por volta de 2007, embora suas raízes remontem a alinhamentos anteriores no âmbito do G77+China, especialmente após a COP13 em Bali (2007). Tornou-se mais consolidado após 2010, particularmente durante as negociações que antecederam e sucederam a COP15 em Copenhague (2009) e a COP17 em Durban (2011). Até as sessões mais recentes (2023-2024), o grupo LMDC era composto por aproximadamente 24 países em desenvolvimento da Ásia, África e América Latina.
A segunda-feira foi marcada pela chegada do vice-presidente Geraldo Alckmin à Belém, para participar de debates, mesas redondas, negociações e coletivas de imprensa. Em seu primeiro discurso na capital paraense, o vice-presidente afirmou que “O tempo de promessas já passou”.
Além de Alckmin, devem chegar em Belém para a segunda semana de COP, Ministros e Ministras de 160 países. Com isso, a conferência deve ganhar um tom ainda mais político e um pouco mais de peso, já caminhando para a reta final e para a expectativa de ter-se uma declaração final publicada ainda essa semana.
Highlights
- Avanços nas negociações? Segundo a presidência brasileira, 60% da agenda de 145 pontos está em andamento.. Mas ainda há muitas decisões a serem tomadas… É necessário avançar em 60 pontos da agenda que ainda precisam de negociação (ver tabela abaixo). Na visão de especialistas, já há sinais de disposição de que a agenda avançará em questões estruturais entre terça-feira e quinta-feira, para que se tornem em decisões até sexta-feira, , o último dia previsto da COP30.

Fonte: g1 e Carbon Brief.
- Lançamento do primeiro Global Methane Status Report💨: A mitigação do metano (CH4) é uma das estratégias mais poderosas e econômicas para retardar o aquecimento a curto prazo do planeta e proporcionar benefícios para qualidade do ar, saúde pública e segurança alimentar. Apesar do aumento das emissões globais, o relatório de 2025 consta que o impulso para a ação tem sido forte, impulsionado pela crescente vontade política, soluções tecnológicas disponíveis e incentivos econômicos.
#DIA8
O dia 18 de novembro foi o oitavo de negociações na Conferência das Partes de Belém. A COP já se encaminha para o final e, com isso, as expectativas para a declaração final acordada em Belém estão aumentando.
Nesse sentido, buscando avançar nas negociações, o presidente da COP, embaixador André Corrêa do Lago, lançou a décima primeira carta da Presidência da COP30, em que menciona os temas de negociação da Conferência e convoca os países a agirem em conjunto para entregarem uma declaração final completa.
Os tópicos citados por André Corrêa do Lago em sua carta são:
- Decisão do Mutirão
- Meta Global de Adaptação
- Programa de trabalho da União dos Emirados Árabes para a transição justa
- Programa de trabalho de ambição e implementação de mitigação de Sharm el-Sheikh
- Planos Nacionais de Adaptação
- Revisão Global
- Artigo 9.5 – Um dos artigos sobre financiamento climático, que exige previsibilidade nas contribuições de países desenvolvidos
- Artigo 2.1.c – Também versa sobre financiamento climático, é o artigo que orienta que fluxos financeiros sejam compatíveis com um mundo de baixas emissões
- Questões relacionadas ao fórum sobre o impacto da implementação de medidas
- Questões relacionadas ao Comitê Permanente de Finanças
- Fundo Verde para o Clima
- Fundo Global para o Meio Ambiente
- Relatório do Fundo para Resposta a Perdas e Danos e orientações ao mesmo fundo
- Relatório e questões relacionadas ao Fundo de Adaptação
- Programa de Implementação Tecnológica
- Questões relacionadas ao Artigo 13 – Trata sobre os relatórios de transparência das ações climáticas.
Além disso, a proposta brasileira de incluir a discussão sobre o mapa do caminho para eliminar os combustíveis fósseis ganhou apoios internacionais relevantes.
Na prática, o mapa do caminho pretende construir um plano de ação com etapas, metas, atores e objetivos para acelerar o fim da dependência do uso de combustíveis fósseis, gás, carvão e petróleo, construindo, portanto, um caminho mais prático para a chamada “transição energética”.
O Brasil defende que o mapa seja inserido nas discussões oficiais e foi apoiado por diversos países, como Alemanha, Reino Unido, Colômbia, Quênia, Serra Leoa e Ilhas Marshall. A discussão tem sido apoiada por jovens ativistas de todo o mundo, incluindo a campeã de Juventude da COP30, a carioca Marcelle Oliveira.
A Jovem Campeã Climática participa diretamente das negociações da COP30, acessando os espaços oficiais da zona azul. O cargo foi uma iniciativa do Governo Federal com o objetivo de incentivar a participação política da juventude em relação aos temas ambientais e climáticos.
Por outro lado….
As negociações sobre financiamento climático continuam enfrentando impasses na COP30, especialmente no que diz respeito aos recursos destinados às ações de adaptação à crise climática.
Medidas de adaptação têm como objetivo proteger e preparar cidades e populações para os impactos da crise climática — como enchentes, enxurradas, alagamentos e deslizamentos de terra — reduzindo danos e fortalecendo a resiliência dos territórios.
Em um evento de Alto Nível, a Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, Marina Silva, falou sobre a importância das políticas de adaptação para o combate à crise climática.
A adaptação precisa estar no centro da resposta global. Proteger pessoas e territórios depende de instrumentos concretos para medir o progresso, orientar políticas e reduzir vulnerabilidades. Por isso é fundamental que essa COP30 saia com os indicadores globais de adaptação finalmente aprovados – Ministra Marina Silva
Glossário da COP30
Os eventos de Alto Nível ou High Level Events, em inglês, são aqueles que debatem os temas mais relevantes da atualidade, com presença de membros da alta administração da ONU, além de autoridades governamentais, líderes científicos, empresariais, da sociedade civil, etc.
Atuação do Brasil
O dia 18 também ficou marcado pelo anúncio de novos projetos que serão realizados pelo Ministério das Mulheres, sob a ótica de gênero e clima.
A Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, anunciou a criação de um protocolo internacional para o fortalecimento de mulheres e meninas em situações de emergências climáticas e desastres. Iniciativa desenvolvida em parceria com organizações internacionais no âmbito do Plano de Aceleração de Soluções (PAS).
Esse protocolo, ainda não lançado, faz parte do Plano de Ações Integradas Mulheres e Clima, produzido ainda antes da Conferência em Belém. O Plano tem um enfoque transversal por meio de 10 ações estratégicas voltadas à promoção da igualdade de gênero, na justiça climática e na valorização dos saberes e experiências das mulheres.
A Ministra comentou também sobre a Estratégia Transversal Mulheres e Clima, que insere a perspectiva de gênero ao Plano Clima 2025–2035 e compõe o plano citado anteriormente.
O relatório “Gender Snapshot 2025”, da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado em setembro de 2025 mostrou que se for considerado o pior cenário das mudanças climáticas, 158,3 milhões de mulheres e meninas poderão entrar para a faixa de pobreza extrema até 2050, o que significa viver com menos de US$ 2,15 por dia.
Highlights
- UFA! Foi feita a entrega do primeiro rascunho da Decisão Final da Conferência, chamado de Pacote de Belém nº 1. O documento produzido e entregue pelo Brasil tem cerca de 70 páginas e busca apontar possíveis caminhos para pautas climáticas que ainda são impasses na comunidade internacional. O documento tem quatro pontos principais: Ambição das NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas); Financiamento climático; Impactos do comércio internacional; Aspectos de governança e transparência.
- A presidência da COP estabeleceu uma meta ousada, que se for cumprida será inédita na história das Conferências das Partes. A expectativa da presidência é que a resolução das negociações aconteça até quarta-feira, dia 19 de novembro.
- O TFFF, Fundo Florestas Tropicais para Sempre, ganhou muita força no início das discussões da COP30, sendo um dos destaques da Cúpula dos Povos, chegando a alcançar US$5,5 bilhões. Porém, desde então não foram anunciados novos investimentos no fundo. Diplomatas europeus têm dito que o momento financeiro dos países da Europa está difícil, principalmente no contexto da guerra da Ucrânia, o que pode dificultar novos investimentos. Assim, o projeto que poderia ser um dos destaques da COP30 está agora em ritmo lento e de espera.
- O Canadá foi o ganhador do antiprêmio Fóssil do Dia da vez. Segundo a Climate Network Action International, os recentes retrocessos climáticos promovidos pelo novo primeiro-ministro, Mark Carney, vem desmontando em poucos meses uma década de avanços — incluindo a aposta em novos projetos de Gás Natural Liquefeito (GNL) — e mantendo o país ausente em um momento em que liderança climática é urgente.
#DIA9
Depois de uma terça-feira movimentada em Belém, a quarta feira começou com grandes expectativas acerca de uma possível declaração concluída e lançada ainda no dia 19.
Na quarta-feira, a Conferência se debruçou, principalmente, sobre os seguintes temas:
- Agricultura;
- Sistemas Alimentares e Segurança;
- Pesca e Agricultura Familiar;
- Mulheres;
- Gênero;
- Afrodescendentes;
- Turismo.
Ao mesmo tempo, os olhos do mundo seguem voltados para o acordo sobre o mapa do caminho para o fim do uso de combustíveis fósseis, que já comentamos aqui na Rede Juntos! Atualmente, 85 países já concordaram com a proposta brasileira que, se aprovada, seria um marco importante para as Conferências de Clima da ONU.
É esperado que o presidente Lula, que voltou para Belém nesta quarta-feira, se reúna com negociadores na COP30, para tentar avançar com as negociações em alguns temas centrais da Conferência, como combustíveis fósseis e financiamento climático.
Atuação do Brasil
Em um evento realizado no dia 19, o Subsecretário de Assuntos Econômicos e Fiscais, João Paulo de Resende, do Ministério da Fazenda falou sobre a importância do TFFF, Fundo Florestas Tropicais para Sempre.
Resende afirmou que o TFFF é um novo modelo de remuneração para a preservação e que é um projeto ambicioso. No painel “Florestas para Sempre (TFFF): para garantir o presente e o futuro”, realizado no pavilhão do Brasil na zona azul, o subsecretário afirmou:
É um projeto ambicioso, verdadeiramente de escala global. E já temos mais de 60 países, representando mais de 90% dos países que têm florestas tropicais já endossaram o projeto; e temos também vários países que já se comprometeram ou estão se comprometendo a apoiar. Isso, por si só, já é um grande feito – João Paulo de Resende
Lançamento da ONU
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, lançou nesta quarta-feira um programa para a recuperação de áreas ambientalmente degradadas.
O programa RAIZ (Investimento em Agricultura Resiliente para Degradação Zero do Solo, na sigla em inglês), tem como objetivo dar apoio para os países e os governos conseguirem regenerar essas terras.
Segundo a diretora-executiva da Food and Land Use Coalition (FOLU), Morgan Gillespy:
O RAIZ se baseia nesses modelos comprovados [além do Brasil, Colômbia e Uruguai têm iniciativas parecidas] para fornecer um novo princípio organizador e para que possamos ajudar cada país a projetar sua própria solução sob medida. […] Seu propósito é muito simples: ajudar governos e investidores a coprojetar mecanismos de financiamento público-privado nacionais que liberem investimento para a restauração dessas terras – Morgan Gillepsy
Highlights
- Balde de água fria! Apesar das grandes expectativas e dos avanços nas negociações, o Pacote de Belém nº 1 – que seria a primeira parte do documento final da COP30 – ainda não foi lançado oficialmente pelos países membros da UNFCCC. Mesmo com esforços dos negociadores, algumas pautas ainda estão travadas e o acordo final ainda não foi concluído.
- A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, anunciou que a Alemanha vai aportar cerca de 1 bilhão de euros no TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre).
- A Inteligência Artificial tem ocupado um papel cada vez maior nas discussões sobre crise climática. A agência internacional de notícias Associated Press, contabilizou pelo menos 24 sessões de discussão relacionadas com IA na primeira semana de COP30 no Brasil.
- O grupo dos Países Menos Desenvolvidos (LDC, na sigla em inglês), composto por 44 nações com menor renda e maior vulnerabilidade às mudanças climáticas, têm manifestado forte insatisfação com a escassez de recursos destinados às ações de adaptação. Esses países alertam para um déficit crescente no financiamento climático que deveria apoiar justamente aqueles que enfrentam os impactos mais severos e dispõem de menos capacidade de resposta.
- Definido o país-sede da COP31! A próxima conferência terá a Turquia como anfitriã oficial, com sede na cidade de Antália e a Austrália ficará responsável por “presidir as negociações”. Além disso, o acordo feito prevê um encontro preparatório (pré-COP) em uma ilha do Pacífico antes da conferência de 2026.
Glossário diplomático
Os Países Menos Desenvolvidos são 44 nações especialmente vulneráveis às mudanças climáticas, mas que menos contribuíram para o problema. Por meio da coordenação do Grupo dos PMD sobre Mudanças Climáticas, os PMD trabalham juntos nas negociações intergovernamentais no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.
#DIA10
A quinta-feira em Belém foi marcada por novos anúncios, grandes expectativas em relação ao documento final da COP30 e por problemas que atrasaram as negociações. Vamos ver o que aconteceu de mais importante no penúltimo dia de Conferência das Partes no Brasil.
O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, afirmou que “é hora de garantir que a conferência não fracasse” e destacou a urgência de acelerar o fim dos combustíveis fósseis, tema central desta COP. Ele reforçou que, sendo responsáveis por 80% das emissões globais, não há solução para a crise climática sem uma transição justa para energias renováveis.
Pela primeira vez, Guterres apoiou publicamente a proposta de triplicar o financiamento para adaptação até 2030, alcançando US$ 120 bilhões — demanda defendida há meses pelos países mais pobres. Atualmente, o valor disponibilizado gira em torno de US$ 26 bilhões, muito aquém do necessário, estimado em pelo menos 12 vezes mais até 2035.
Vale lembrar que um dos acordos que pode sair da COP30 é o chamado “mapa do caminho” para o fim dos combustíveis fósseis, que já conta com o apoio de mais de 80 países.
Blue zone fechada
Devido a um incêndio ocorrido na blue zone, o espaço precisou ser evacuado e fechado, sendo reaberta somente por volta das oito da noite. As negociações e discussões de ontem foram canceladas ou adiadas, o que pode causar um atraso na entrega do documento final da COP30.
Em uma nota oficial divulgada na noite de quinta, o Ministério da Casa Civil afirmou que as sessões de negociação seriam retomadas na sexta-feira de manhã, sendo abertas às Partes e também transmitidas online.
Expectativas finais
Com a proximidade do fim da COP30, as expectativas agora são para ver o que será apresentado no documento final da Conferência, que pode ser anunciado na sexta-feira depois disso, dependendo do andamento das negociações.
Resta saber se as discussões sobre o fim dos combustíveis fósseis, sobre medidas de adaptação e sobre financiamento climático entrarão, ou não, na declaração final de Belém.
Highlight
- O México apresentou uma das NDCs mais ambiciosas desta rodada global. pela primeira vez, definiu um teto absoluto de emissões para 2035, cobrindo todos os setores. O país pretende reduzir pela metade suas emissões atuais — de cerca de 820 para 364–404 MtCO₂e — e pode avançar ainda mais com apoio internacional. A nova NDC também incorpora temas inéditos, como perdas e danos, direitos humanos e trabalho de cuidado.
#DIA11
A sexta-feira, 21/11, marca o último dia oficial da Conferência das Partes em Belém. É provável que as negociações ainda avancem pelos próximos dias, com os países tentando chegar a acordos em temas fundamentais como redução do uso de combustíveis fósseis, medidas de adaptação e mitigação e financiamento climático.
Logo nas primeiras horas da manhã, a presidência da COP apresentou um novo rascunho de texto final, chamado de “Decisão Mutirão”. O rascunho apresentado excluiu as menções ao mapa para o fim do uso dos combustíveis fósseis, que vinha sendo discutido nos últimos dias. Além disso, um trecho que falava sobre o caminho para alcançar o fim do desmatamento também foi retirado do texto.
Esse rascunho tem causado divergências e insatisfações por parte de alguns Estados. Mais de 30 países, como Colômbia e Alemanha, estão ameaçando bloquear o documento por considerá-lo insuficiente por não tratar dos principais problemas que causam problemas climáticos e ambientais.
Vale lembrar que as decisões das COPs devem ser tomadas por consenso, ou seja, se esses países bloquearem a proposta, ela não será aprovada como documento final da reunião em Belém.
Nessa linha, a União Europeia declarou que há chance de a COP30 terminar sem uma declaração final e oficial. Segundo o Comissário Europeu para o Clima, Wopke Hoekstra, o rascunho de texto apresentado nesta manhã não é aceitável. Nas palavras dele:
Estamos muito longe de onde deveríamos estar e isso pode acabar sem acordo – Wopke Hoekstra
O rascunho apresentado pela presidência da COP cita também a necessidade de aumentar os recursos para adaptação climática, apesar de não trazer valores específicos. O texto apresentado por André Corrêa do Lago “pede esforços para triplicar o financiamento para adaptação em comparação aos níveis de 2025 até 2030”. Como vimos ao longo desses dez dias, o tema do financiamento climático foi um dos mais presentes nas discussões da COP30, mas enfrentou constantes tensões e dificuldades para avançar.
É neste cenário que o presidente da COP fez um apelo aos países participantes. Corrêa do Lago pediu que as partes se unam, flexibilizem suas posições e busquem chegar em um consenso, para que todos consigam chegar a um acordo que permita o cumprimento das metas do Acordo de Paris.
Glossário diplomático
O Acordo de Paris foi firmado em 2015, na COP21, em Paris. Ele foi assinado pelos 195 países que fazem parte da UNFCCC e é o principal acordo sobre mudanças climáticas que existe atualmente. É o responsável por estabelecer metas para a redução de Gases de Efeito Estufa (GEE). Além disso, foi o responsável pelo estabelecimento da proposta das NDCs, as Contribuições Nacionalmente Determinadas, que é seguido até hoje pelos países membros.
Anúncios brasileiros
No último dia de COP30, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI) anunciou o DataClima+, o novo Sistema Nacional de Transparência Climática do Brasil.
Trata-se de uma plataforma, que ainda está em desenvolvimento. Quando estiver pronta, será responsável por centralizar em um único local as principais informações relacionadas à mudança do clima no Brasil. Os dados vão servir como base para a formulação dos relatórios bienais de transparência, que, a partir de 2024, devem ser submetidos à Convenção do Clima a cada dois anos.
Segundo a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Latgé, a plataforma é importante para contribuir com os compromissos internacionais firmados entre os países.
Highlights
- Os governos da Colômbia e dos Países Baixos anunciaram que vão realizar em 2026, uma cúpula para discutir especificamente o fim do uso de combustíveis fósseis e o mapa do caminho;
- 11 países aceitaram o desafio da chamada “NDC Azul”. A proposta encabeçada por Brasil e França convocava os países a adotarem soluções climáticas baseadas nos oceanos em suas contribuições nacionalmente determinadas (NDCs) e em seus planos de implementação das NDCs. Países como Austrália, Chile, Fiji, Kenya, Madagascar, México, Palau e Seychelles são alguns dos signatários.
- Os números oficiais divulgados pelo Ministério do Turismo nesta sexta-feira mostraram que a COP30 teve participação de mais de 42 mil pessoas e 195 países na zona azul. Esses números não incluem os visitantes da zona verde, que é aberta ao público em geral.
#DIA12
A Conferência das Partes em Belém, estava marcada para terminar oficialmente, na sexta-feira dia 21/11. Porém, por ainda não terem chegado a um consenso em relação ao documento final, as Partes seguiram negociando durante o sábado, dia 22/11. No fim do dia, após longas horas de discussões, foi anunciada a aprovação do chamado “Pacote de Belém”, a decisão final da COP30.
Vale lembrar que na sexta-feira houve uma grande frustração por parte de ativistas, especialistas e cientistas com a retirada das menções aos combustíveis fósseis do rascunho do documento final, o que gerou discordâncias nas negociações.
Mesmo sem incluir tudo que havia se proposto, o Pacote de Belém trouxe avanços significativos para a pauta climática e ambiental a nível global e local.
Vem acompanhar um pouco do que está no documento final da COP30!
O que ficou de fora?
O chamado mapa do caminho para o fim dos combustíveis fósseis foi uma proposta ousada feita pelo Brasil durante a COP30. A ideia era construir um plano de ação claro que permitisse acelerar o fim do uso de combustíveis fósseis, incentivando a transição energética.
Apesar de ter angariado o apoio de mais de 80 países, a proposta não gerou consenso, e foi rechaçada por diversos países, como a Arábia Saudita e Índia. Por esse motivo, o tema foi retirado do documento final aprovado pelos países no sábado à tarde.
O presidente da COP30, porém, afirmou que irá elaborar esse mapa por conta própria, para que ele sirva como uma sugestão para os países, sem ter força de obrigatoriedade.
Além disso, outro tema central no combate às mudanças climáticas que foi deixado de fora do documento final foi o desmatamento. Novamente, a presidência brasileira havia proposto um roteiro para eliminar o desmatamento, porém, a ideia não foi levada para frente durante as negociações e também ficou de fora do Pacote de Belém.
Avanços importantes
Apesar de não ter contemplado todos os temas sonhados por ativistas, cientistas e autoridades, o Pacote de Belém apresentou avanços importantes em áreas centrais para o combate à mudança climática.
Pela primeira vez depois de trinta edições, o documento final de uma Conferência das Partes trouxe menções significativas sobre populações indígenas e afrodescendentes.
As populações negras foram reconhecidas como atores importantes em quatro áreas, sendo elas:
- Gênero;
- Adaptação;
- Transição justa;
- “Mutirão Global: unindo a humanidade em uma mobilização global contra a mudança climática” — o pacote de decisões mais importante da COP30.
Como dito, o chamado “Mutirão Global” foi o pacote de decisões mais importante da COP30, com atuação direta da presidência brasileira para as negociações avançarem nesse eixo. O documento apresenta a determinação dos países em aumentar a ambição coletiva ao longo do tempo. Para isso, o texto apresentou dois mecanismos de implementação:
- Acelerador Global de Implementação: iniciativa colaborativa e voluntária lançada sob a liderança das presidências da COP30 e COP31 para apoiar os países na implementação de NDC e Planos Nacionais de Adaptação.
- Missão Belém para 1,5 °C: plataforma orientada para a ação sob a liderança da COP29-COP31, para promover maior ambição e cooperação internacional em mitigação, adaptação e investimento.
Já os povos indígenas tiveram o reconhecimento e a inclusão da importância de seus direitos territoriais, nos documentos da Conferência.
Em seu discurso na plenária final da COP30, a Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou:
Demos um passo relevante no reconhecimento do papel de povos indígenas, comunidades tradicionais e afrodescendentes. A transição justa ganhou corpo e voz. Lançamos o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, mecanismo inovador que valoriza aqueles que conservam e mantêm as florestas tropicais – Marina Silva
As discussões sobre adaptação também apresentaram avanços significativos. Como foi mostrado ao longo da cobertura, esse foi um tópico sensível durante toda a COP, opondo quase sempre os países mais ricos e os países do Sul Global. Mesmo assim, houve aprovação de novas metas sobre o tema.
O Pacote de Belém apresentou o compromisso das Partes de triplicar o financiamento da adaptação até 2035 e a ênfase na necessidade dos países desenvolvidos aumentarem o financiamento para nações em desenvolvimento. Além disso, os países concordaram com a criação de 59 indicadores voluntários – que envolvem setores como água, alimentação, saúde, ecossistemas, infraestrutura e meios de subsistência – para monitorar o progresso sob a Meta Global de Adaptação.
Highlights
- A COP30 terminou com a entrega de 122 NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas). Ao todo, 198 países fazem parte da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a UNFCCC. Isso mostra que mais de 50% dos países entregaram suas metas de contribuições voluntárias.
- As Partes concluíram o Roteiro de Adaptação de Baku. Esse documento aprova e estabelece o trabalho para 2026-2028, até o próximo Balanço Global do Acordo de Paris, que acontecerá em 2028, na COP33.
- A iniciativa FINI (Fostering Investible National Implementation) foi lançada para tornar os Planos Nacionais de Adaptação mais atraentes. Ao reunir países, bancos de desenvolvimento, seguradoras e investidores privados, a FINI pretende desbloquear USD 1 trilhão em projetos de adaptação dentro de três anos, com 20% mobilizados pelo setor privado.
- Foi aprovado pelas partes um Plano de Ação de Gênero, um passo importante para aprimorar as discussões sobre os impactos das mudanças climáticas na vida das mulheres. A iniciativa amplia o orçamento e o financiamento sensíveis ao gênero e promove a liderança de mulheres indígenas, afrodescendentes e rurais.
Ficou interessado pelas decisões tomadas na COP30 de Belém? Todos os documentos do Pacote de Belém já podem ser conferidos no site da UNFCCC! É só acessar por aqui.
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Excelente trabalho 👏 com muita explicação e detalhes .
Parabéns pra toda equipe