Como a falta de regras claras trava a adaptação climática subnacional
A adaptação climática já não é uma agenda do futuro. Ela acontece agora, nos territórios, pressionando infraestrutura, serviços públicos e orçamentos. Estados e municípios lidam diariamente com eventos extremos, perdas materiais e riscos sociais crescentes. Ainda assim, a resposta segue lenta.
Esse atraso não é técnico. Diagnósticos existem, dados existem, soluções também. O principal gargalo da adaptação climática no nível subnacional é regulatório. Quando não há regras claras, a adaptação não vira prioridade institucional, vira exceção.
Sem regulação, a adaptação não entra no planejamento nem no orçamento. Fica dependente de projetos pontuais, janelas políticas e respostas emergenciais. Decisões estruturais continuam sendo tomadas como se o risco climático fosse eventual, quando ele já é permanente.
No nível estadual e municipal, isso gera um efeito direto: investimentos seguem descolados do risco climático, políticas públicas não conversam entre si e a adaptação não escala. Não por falta de vontade, mas por ausência de mandato claro e coordenação institucional.
Experiências internacionais mostram que onde a adaptação é regulada, ela avança. A lei organiza prioridades, distribui responsabilidades e reduz incertezas. Regulação, nesse contexto, não trava, acelera. Ela transforma adaptação em política de Estado, não em iniciativa isolada.
Se o clima já mudou, a governança precisa acompanhar. Enquanto a adaptação seguir opcional, seguirá atrasada. E o custo desse atraso não é abstrato: ele é fiscal, social e político. O clima corre. A decisão é se a regulação vai correr junto.
*Esse conteúdo pode não refletir a opinião da Comunitas e foi produzido exclusivamente pelo especialista da Nossa Rede Juntos.
Postagens relacionadas
Bioeconomia e práticas regenerativas na Nova Indústria Brasil
O que marcou 2025?
Tudo o que está acontecendo na COP30
Lideranças com espírito público
Somos servidores, prefeitos, especialistas, acadêmicos. Somos pessoas comprometidas com o desenvolvimento dos governos brasileiros, dispostas a compartilhar conhecimento com alto potencial de transformação.
Deixe seu comentário!