PT | EN | ES

Novos modelos de governança: caso Museu do Ipiranga

Publicado em: 18.07.22
Escrito por: Regina Esteves Tempo de leitura: 5 min Temas: Modernização da Administração
Voltar ao topo

Novos modelos de governança: caso Museu do Ipiranga

Para comemorar o Bicentenário, o novo museu está ganhando mais espaço, acervo e será um museu muito mais tecnológico e acolhedor

Abril, 2022

Para dar números ao desafio, apenas o projeto de restauro, ampliação e modernização do Novo Museu do Ipiranga apresenta orçamento de R$ 211 milhões (Divulgação/Divulgação)

Em 2021, a Comunitas, em parceria com a Enap, publicou o “Mapa da Contratualização de Serviços Públicos no Brasil”. No escopo de sua análise, o mapa observou as experiências de contratualização baseadas em diversos instrumentos legais, tais como a lei das concessões públicas, as diferentes legislações regulando a contratação de Organizações Sociais (OSs), a lei das PPPs, o marco regulatório da sociedade civil, além de programas contratados com base na antiga lei de licitações, bem como algumas parcerias via convênios com o setor público.

O tema da contratualização de serviços públicos é instigante e, às vésperas do Bicentenário da Independência, o caso do novo Museu do Ipiranga joga luz sobre esta discussão, pelo histórico de inovação e parcerias de que se reveste desde o princípio.

O seu nome oficial é Museu Paulista da Universidade de São Paulo, uma instituição científica e educacional com atuação no campo da História, que está integrada à Universidade de São Paulo desde 1963 e foi inaugurado em 7 de setembro de 1895, como museu de história natural e marco representativo da Independência, da história do Brasil e paulista.
Para comemorar o Bicentenário, o novo museu está ganhando mais espaço, acervo e será um museu muito mais tecnológico e acolhedor, ampliando a sua importância no cenário nacional e internacional.

No contexto de desafios econômicos que vive nosso país, desde a segunda metade da década passada, é fácil imaginar que a renovação do museu têm sido uma tarefa desafiadora, especialmente para uma instituição universitária.
A alternativa de superação dessas dificuldades tem se colocado a partir da implantação do modelo de governança compartilhada. Desde os seus primeiros passos, o Projeto Museu do Ipiranga 2022 enseja múltiplas parcerias, intra e intergovernamentais e principalmente com a sociedade civil.

Para dar números ao desafio, apenas o projeto de restauro, ampliação e modernização do Novo Museu do Ipiranga apresenta orçamento de R$ 211 milhões. Para alavancar esses recursos, a USP tem lançado mão do trabalho da sua Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (FUSP), que articula com o Governo Federal, através do Ministério do Turismo, e com os demais órgãos do Governo do Estado de São Paulo os recursos públicos destinados ao projeto.

Ainda mais relevante é o fato de que nesta fase têm se sobressaído as estratégias de captação de recursos privados e o projeto vem contando com 27 apoiadores que permitem os aportes necessários para a realização das diversas etapas de execução da obra. Ou seja, como dissemos, o conceito de gestão compartilhada está presente em todos os momentos do processo de restauro.

Mas, esta etapa se finda no próximo dia 7 de setembro, quando o novo Ipiranga será entregue à comunidade. Em decorrência, já se encontram em pauta os desafios da sustentabilidade e da adequada manutenção de um equipamento tão simbólico de nossa história.

De modo semelhante ao que aconteceu na etapa de restauro, sendo órgão vinculado à USP, portanto uma instituição de educação, o Museu do Ipiranga, do ponto de vista do estabelecimento de alternativas de gestão, tem limitações jurídicas importantes e uma delas é que não pode, segundo a Lei estadual nº 846/98, ser administrado por uma organização social.

Para superar esta dificuldade, a solução de gestão está na criação, já em andamento, de uma nova fundação de apoio, de direito privado e sem fins lucrativos, cujo marco legal está assentado na Lei nº 13.151/2015, que alterou alguns artigos do novo Código Civil, Lei nº 10.406/2002.

Esta fundação será responsável pelo processo de captação de recursos e terá ainda a devida autonomia, para poder fazer concessões privadas de espaços, como lojas, cafés e outros serviços que possam se constituir como fonte de recursos para manutenção.

A nova fundação terá pelo menos dois objetivos centrais. O primeiro será garantir a sustentabilidade financeira da gestão, considerando a ampliação de espaços e, muito especialmente, o fato de que o novo Ipiranga será um museu contemporâneo deste novo tempo, em que a tecnologia passa a ser instrumento fundamental para a preservação de nossa história.

Em segundo lugar, a fundação permitirá que a administração do novo museu tenha suas funções operacionais tratadas de maneira mais ágil, desonerando a direção, essencialmente acadêmica, das tarefas de manutenção e cuidado com o acervo, prédio e demais equipamentos.

Assim, sendo um marco das comemorações de nosso Bicentenário da Independência, podemos indicar com segurança que o Novo Museu do Ipiranga acrescenta, desde a fase de restauro e a partir de agora, na sua administração, mais uma interessante experiência ao conjunto de cases de como o Estado brasileiro, pouco a pouco, vai tornando realidade novos formatos gerenciais, na perspectiva da governança compartilhada, em que inovação, agilidade e excelência na prestação de serviços são o foco do setor público.

Sob vários aspectos, trata-se de uma belíssima forma de comemorar nossa Independência, que seja bem-vindo o Novo Ipiranga!!!



*Esse conteúdo pode não refletir a opinião da Comunitas e foi produzido exclusivamente pelo especialista da Nossa Rede Juntos.

Artigo escrito por: Regina Esteves
Diretora Presidente Comunitas
O que você
achou desse
conteúdo?

Média: 0 / 5. Votos: 0

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar!

Compartilhe
este conteúdo:

Deixe seu comentário!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens relacionadas

Ciência e Tecnologia, Gestão de Pessoas, Modernização da Administração

Modelo de integração de processos e avaliação de consistência de artefatos em sistemas de gestão

Esse texto apresenta a pesquisa que teve como objetivo desenvolver um modelo de gestão da capacidade de integração de processos na área de Recursos Humanos de grande organização pública. Foram analisados os dados da cadeia de valor da organização e mapeados os artefatos (produtos e serviços prestados) diante dos requisitos de cada stakeholder.
31.03.26 Pedro Carlos Resende Junior
Comunicação e Engajamento Cívico, Desenvolvimento econômico, Diversidade e Inclusão Social, Modernização da Administração, Planejamento Estratégico, Saúde

O bem-estar como novo indicador para o desenvolvimento das nações

Entre a avaliação da vida, o afeto cotidiano e o senso de propósito, a felicidade deixou de ser tema filosófico para se tornar peça-chave na formulação de políticas públicas
23.03.26 Redação
Governança Compartilhada, Modernização da Administração

Um ano para pensar o Brasil

Em alguns países da América Latina, como o Chile e o Uruguai, houve de fato um forte avanço em consensos sobre políticas públicas. É difícil dizer que este tenha sido o caso do Brasil. Se alguém discordar, vale fazer algumas perguntas: há consenso no País sobre o tema da responsabilidade fiscal? O País fez a Lei de Responsabilidade Fiscal, em 2000, mas a cultura do rigor fiscal foi, de fato, internalizada pelo sistema político?
23.02.26 Regina Esteves

Lideranças com espírito público

Somos servidores, prefeitos, especialistas, acadêmicos. Somos pessoas comprometidas com o desenvolvimento dos governos brasileiros, dispostas a compartilhar conhecimento com alto potencial de transformação.

Rede Juntos
Visão geral de privacidade

Este site utiliza cookies para que possamos oferecer a você a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e desempenham funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.