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Projeto Petim
Breve Resumo
O Projeto Petim, de Aguaí (SP) é uma iniciativa voltada à recomposição de aprendizagem na educação pública e ao oferecimento de atividades educacionais no contraturno escolar. O projeto está direcionado aos alunos com defasagem no aprendizado e executado por meio de oficinas pedagógicas de Matemática, Português, descobertas (Temas Integradores da Base Nacional Comum Curricular – BNCC), oficinas culturais e atividades esportivas, buscando manter os estudantes na escola por meio da implementação de metodologias inovadoras e criativas. O Projeto Petim visa atender 400 alunos do Ensino Fundamental em 13 escolas municipais, de um universo de mais de 2.000 jovens nas 17 escolas que compunham a rede municipal.
Justificativa da Contratualização
O município de Aguaí sofreu os impactos da pandemia refletidos no desempenho dos alunos, sobretudo os do Ensino Fundamental. Esse desafio se impunha ao mesmo tempo em que a expansão do ensino integral ganhava espaço na agenda nacional, ao aliar a permanência de alunos e jovens nas escolas ao desenvolvimento de competências e habilidades para uma formação mais sólida.
Escolha do Instrumento Legal
A escolha pelo Termo de Colaboração baseou-se na experiência prévia do município com esta modalidade, considerada adequada ao objeto, principalmente pela facilidade do monitoramento e repasse financeiro. O Termo de Colaboração – um dos três instrumentos jurídicos criados pela da Lei 13.019/2014 – objetiva formalizar as parcerias estabelecidas entre organizações da sociedade civil para a execução de planos de trabalho vinculados a projetos e atividades com finalidades de interesse público. Antes de publicado, o termo de referência ainda passou pelo Conselho Municipal de Educação.
Características do Contrato
Pela própria natureza da iniciativa, o Petim tem trazido vantagens que vão além do público alvo em questão – estudantes da rede municipal de ensino. Em termos de economicidade para a prefeitura, o contrato se justifica: foi feita uma comparação entre o valor per capita estabelecido pelo parceiro privado e o que seria pago caso o serviço fosse oferecido pela rede, indicando que a contratualização apresentou melhores valores. O contrato solucionou ainda a restrição de espaços físicos que a rede municipal enfrentava, transferindo ao parceiro a responsabilidade de adaptação das salas – aspecto que, possivelmente, irá se alterar em editais futuros, pois a construção de novos espaços para contraturno escolar está nos planos da prefeitura de Aguaí. Ademais, a prefeitura não se envolve na seleção dos profissionais, que são contratados diretamente pela organização social: esse aspecto amplia as possibilidades de atuação, como no caso de utilização de voluntariado, que é adotada no Petim.
Pelo lado do Instituto Alicerce, o edital de chamamento foi bem estruturado e tecnicamente bem feito, elencando todos os requisitos e, principalmente, o objetivo a ser alcançado. Esse aspecto concedeu a segurança necessária para o desenvolvimento do plano de trabalho por parte da organização social, que conseguiu apresentar uma proposta customizada a partir da sua expertise e das dores identificadas, e que foi a única apresentada no processo. O contato prévio entre o poder público e o Instituto Alicerce foi fundamental para a estruturação de um instrumento mais consistente: segundo os gestores, municípios vizinhos publicaram editais com valores superiores e, ainda assim, não atraíram propostas; então é importante abertura de canais de diálogo para conseguir viabilizar as parcerias. O resultado foi um plano de trabalho, de fato, alinhado às expectativas da prefeitura, um aspecto valorizado, já que temiam propostas inconsistentes.
Com a seleção do Instituto Alicerce enquanto vencedor do certame, teve início o processo de diálogo e alinhamento entre contratante e contratada: foi feita uma reunião inicial trazendo todas as frentes importantes para a implantação e esse diálogo permanece até hoje, sendo considerado um dos elementos principais para a boa execução do projeto.
Execução do Contrato
Inicialmente, é feita uma triagem nas escolas indicadas a participarem do Petim, um processo feito na própria escola, com a participação dos gestores, que conhecem os alunos. No caso em que a demanda por vaga é maior do que a disponibilidade de vagas na unidade de ensino, a prioridade é dada aos alunos com maior dificuldade. São disponibilizadas 20 vagas em 20 turmas, mas nem todas são preenchidas; existe um trabalho de busca ativa neste sentido. Para acompanhar a evolução dos alunos, o Instituto faz uso de um mapeamento que localiza onde o aluno está com defasagem. As métricas incluem a frequência; diminuição de defasagem dos alunos; metas de ocupação, Índice de satisfação e promoção de aprendizagem. As metas têm sido alcançadas com sucesso e muito deste resultado é creditado ao processo de governança e ao planejamento semanal do instrutor: a cada quinzena os alunos são avaliados para ajustes de rota. Ademais, são feitas reuniões periódicas com o ponto focal da prefeitura para realizar diagnóstico e analisar evolução do estudante. A prestação de contas é feita trimestralmente.
Outro diferencial do desenho da parceria é o contato com o público. A equipe está na comunidade, realizando reuniões tanto com os estudantes quanto seus responsáveis e os feedbacks costumam ser positivos.
Resultados da Contratualização
Para além do alcance das metas pactuadas no contrato, os impactos têm se refletido em outros âmbitos, como na melhora dos índices municipais do IDEB e até na conquista de um prêmio de fluência leitora pelos estudantes. Além disso, o processo de acompanhamento das metas foi considerado um destaque. Embora o plano de trabalho já contivesse as metas e os indicadores a serem monitorados, a articulação constante com a gestão pública tem sido fundamental.
Em relação aos alunos, os impactos são de uma dimensão mais ampla. Para além das metas específicas de recomposição de aprendizagem, a metodologia e oficinas variadas do Petim têm proporcionado autonomia, protagonismo da própria aprendizagem e ampliação do repertório dos alunos. Os espaços de convivência proporcionados pelo Petim passaram a ser reconhecidos e valorizados pela comunidade: na hora de matricular seus filhos, a existência ou não do Petim no contraturno já é um critério levado em conta pelos responsáveis.
Por fim, cabe mencionar, ainda, a troca entre os professores da rede municipal de ensino e os profissionais do Petim. Esta interlocução permite o contato com novas formas de abordagem pedagógica, novas ideias, oportunidades de convivência e atuação que, por sua vez, acabam beneficiando a própria oferta do ensino regular pela rede municipal.
Replicabilidade
Seja pelo porte do município, pelo objeto do contrato ou, ainda, pelo modelo de negócio da organização social, o Petim apresenta elementos passíveis de replicabilidade para outros contextos. A recomposição de aprendizagem é um tema que desafia gestões municipais de todos os tamanhos e a expertise do Instituto Alicerce em projetos de recomposição de aprendizagem é um diferencial. A organização opera em diversas cidades, atendendo a um grande número de alunos. Aguaí é o município de menor número de habitantes atendido pela organização que, a despeito disso, vem apresentando resultados satisfatórios.
Esse encaixe não vem sem ajustes: é preciso articulação constante entre ambas as partes. Pelo lado do parceiro público, um contrato consistente e demandas alinhadas à necessidade do município: a inclusão de atividades físicas e, posteriormente, aulas de robótica, foi uma condição dada por Aguaí, acatada pelo parceiro. Pelo lado do parceiro privado, habilidade em adaptar os planos de trabalho à realidade encontrada e fazer curvas: no caso do Instituto Alicerce, a depender do município, as metas são diferentes, mas há um sistema para cada uma delas. É essa sintonia propicia condições para o sucesso da iniciativa, independente do porte do município.
Referências Bibliográficas
Mapa da contratualização – Destaques em parcerias público-privadas de impacto social; Comunitas. Brasília: 2024.